Mercado global de açúcar deve entrar em déficit na temporada 2026/27, prevê OIA

REUTERS/Peter Nicholls

Organização Internacional do Açúcar aponta redução na produção e impacto do El Niño como fatores para déficit futuro

O mercado global de açúcar deve enfrentar déficit em 2026/27 devido à queda na produção provocada pelo El Niño, diz OIA.

Mercado global de açúcar deve entrar em déficit em 2026/27, alerta OIA

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) divulgou nesta segunda-feira (18) sua primeira previsão para a temporada 2026/27, indicando que o mercado global de açúcar deve entrar em déficit, estimado em 0,262 milhão de toneladas métricas. Essa projeção decorre principalmente de uma redução significativa na produção mundial, avaliada em aproximadamente 2 milhões de toneladas, influenciada pelo risco crescente do fenômeno climático El Niño.

Impactos do El Niño na produção mundial de açúcar

O aumento do risco do El Niño é um fator crítico que afeta a oferta global de açúcar para a próxima temporada. Este fenômeno climático extremo tem potencial para alterar padrões de chuva e temperaturas em regiões produtoras-chave, como Brasil e Índia, que representam uma fatia substancial da produção mundial. A OIA destaca que estas condições podem reduzir a safra, pressionando a oferta e gerando impacto direto no equilíbrio de mercado.

Revisão do superávit para a temporada 2025/26 e implicações para preços

Para a temporada 2025/26, que compreende o período de outubro a setembro, a OIA aumentou a estimativa do superávit global de açúcar para 2,244 milhões de toneladas métricas, contra a previsão anterior de 1,22 milhão. Apesar desse superávit modesto, a entidade considera que a formação de estoques, aliada a preocupações sobre a redução no uso de fertilizantes e o aumento do hedge de preços, pode sustentar os valores do açúcar nos próximos meses, mantendo a perspectiva de preços neutra.

Crescimento da produção e consumo de etanol impulsiona mercado de biocombustíveis

A OIA também analisou a dinâmica do etanol, um biocombustível derivado da cana-de-açúcar e do milho, cuja produção global deverá crescer de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026. O consumo, por sua vez, deve aumentar de 122,9 bilhões para 126,9 bilhões de litros, ainda ligeiramente inferior à produção. Este movimento é sustentado pela recuperação da produção brasileira e expansão na Índia, além da elevação dos preços do petróleo decorrente do conflito no Golfo Pérsico, que impulsiona a demanda por biocombustíveis.

Políticas de mistura de biocombustíveis e futuro do mercado energético

Diversos países estão ampliando suas políticas para aumentar a mistura de biocombustíveis à gasolina, com o Brasil, Índia e União Europeia avaliando elevações nos níveis para E32, E25 e E20, respectivamente. Estes programas refletem uma resposta estratégica aos preços elevados do petróleo, promovendo alternativas energéticas que impactam diretamente o mercado do açúcar e do etanol, integrando desafios climáticos e econômicos no cenário global.

Considerações finais sobre o mercado global de açúcar e perspectivas futuras

A previsão da OIA evidencia uma conjuntura delicada para o mercado global de açúcar, marcado pela iminência do déficit em 2026/27 e suas múltiplas causas, desde fatores climáticos até decisões políticas e econômicas no setor de biocombustíveis. A interação entre oferta reduzida e demanda crescente por derivados da cana-de-açúcar torna o panorama desafiador, exigindo atenção de produtores, investidores e formuladores de políticas para garantir equilíbrio e sustentabilidade no setor.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: REUTERS/Peter Nicholls

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