Mesmo com mais brasileiros praticando atividade física, casos de pressão alta aumentam e desafiam especialistas

Taxa de hipertensão no Brasil aumenta para 29,7% em 2024, apesar da maior prática de exercícios físicos entre adultos.
Crescimento paradoxal da hipertensão no Brasil em 2024
A hipertensão no Brasil apresentou um aumento significativo em 2024, conforme dados do Vigitel divulgados neste ano. Mesmo com o avanço na adoção de hábitos considerados saudáveis, como a prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física — que subiu de 30,3% para 42,3% da população adulta —, a taxa de pessoas com pressão alta saltou de 22,6% para 29,7%. Esse cenário desafia especialistas e exige uma análise aprofundada dos fatores que contribuem para esse crescimento.
O cardiologista Ronaldo Gismondi, diretor médico da Afya, ressalta que a hipertensão é resultado da interação de múltiplos fatores, que vão além do exercício físico isolado. A complexidade do problema implica em considerar outros aspectos como alimentação, estresse, envelhecimento da população e predisposições genéticas.
Impacto dos hábitos saudáveis e seus limites no controle da pressão arterial
Embora o aumento da prática de atividades físicas seja um avanço importante para a saúde pública, ele não tem sido suficiente para conter o avanço da hipertensão no Brasil. Hábitos como alimentação inadequada, consumo excessivo de sal e fatores socioeconômicos podem influenciar negativamente o controle da pressão arterial.
Além disso, o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional elevam naturalmente a prevalência de condições crônicas como a hipertensão. Segundo especialistas, políticas públicas devem considerar essas variáveis para promover intervenções mais eficazes.
Fatores de risco e a necessidade de abordagem multidisciplinar
A hipertensão está associada a diversos fatores de risco, incluindo obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo. A presença desses fatores, mesmo em indivíduos que praticam exercícios, pode manter ou agravar a pressão alta.
Profissionais de saúde recomendam uma abordagem multidisciplinar, que envolva mudanças no estilo de vida, acompanhamento médico regular e, quando necessário, uso de medicação. A conscientização da população sobre esses aspectos é fundamental para o enfrentamento da hipertensão.
A importância da prevenção para evitar complicações renais e cardiovasculares
A pressão arterial elevada é um importante fator de risco para doenças renais e cardiovasculares, que representam grande parte da mortalidade no Brasil. A nefrologista Claudia Meireles destaca a relevância de ações preventivas para reduzir o impacto da hipertensão nesses órgãos.
Medidas como o monitoramento regular da pressão, controle do peso, alimentação balanceada e redução do estresse são estratégias eficazes para prevenir essas complicações. A educação em saúde deve ser intensificada para disseminar essas orientações.
Desafios futuros e perspectivas para o controle da hipertensão no país
O aumento da hipertensão no Brasil, mesmo diante do avanço nos hábitos saudáveis, evidencia a necessidade de ampliar o escopo das políticas públicas de saúde. Investimentos em educação, acesso a serviços médicos e programas de prevenção integrados são essenciais.
Pesquisas continuam sendo fundamentais para identificar causas específicas e desenvolver intervenções direcionadas. O desafio está em equilibrar ações individuais e coletivas para conter o avanço da hipertensão e suas consequências.
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Este panorama da hipertensão no Brasil em 2024 reforça que a prática de atividade física, embora essencial, não é isoladamente suficiente para o controle da doença. Um conjunto amplo de fatores deve ser considerado para reverter essa tendência preocupante, protegendo a saúde da população.
Fonte: metropoles.com





