Moody’s aponta que política trava ajuste fiscal necessário no Brasil

REUTERS/Brendan McDermid

Relatório destaca que polarização política limita reformas e mantém país preso a altos déficits e dívida crescente

Moody's alerta que o ajuste fiscal no Brasil é travado pela polarização política, elevando déficits e dívida pública.

A política trava o ajuste fiscal no Brasil em 2026

O ajuste fiscal no Brasil em 2026 é profundamente afetado pela polarização política, conforme revela o relatório divulgado pela agência Moody’s nesta semana. O documento aponta que, mesmo com a manutenção da nota de crédito em Ba1 e perspectiva estável, o país enfrenta um cenário complicado de rigidez orçamentária e altos juros, que limitam o crescimento econômico. O principal entrave identificado está nas disputas políticas dentro do Congresso Nacional, que impedem avanços nas reformas fiscais necessárias.

Impactos da polarização política na economia e no déficit fiscal

O relatório da Moody’s destaca que a polarização política representa um obstáculo para a formulação de políticas públicas sólidas, criando um ambiente de curto prazo dominado por interesses eleitorais. Esse cenário fomenta a adoção de políticas eleitoreiras e o aumento dos gastos públicos de forma insustentável. Como consequência, o Brasil mantém um déficit fiscal elevado, estimado em torno de 8,5% do PIB em 2026, impulsionado principalmente pelas despesas com juros que consomem grande parte das receitas do governo.

Déficit primário e crescimento da dívida pública comprometem investimentos

Embora o déficit primário, que exclui os juros, apresente uma melhora e fique abaixo de 1% do PIB, a dívida pública continua a crescer. A Moody’s projeta que a relação dívida/PIB subirá para cerca de 83% em 2026, contra 79% no ano anterior, caso não sejam implementadas reformas fiscais substanciais. O aumento dos juros, necessário para conter a inflação, eleva o custo da dívida e sufoca a capacidade de investimento público, comprometendo o desenvolvimento econômico e a estabilidade fiscal do país.

Recomendações da Moody’s para avançar nas reformas fiscais

Para que o Brasil consiga melhorar sua classificação de risco e alcançar o grau de investimento, a Moody’s enfatiza a necessidade de consenso político para implementar reformas profundas nos gastos públicos. Entre as medidas sugeridas estão a redução da destinação específica de verbas orçamentárias, a revisão da indexação dos benefícios sociais ao salário-mínimo e a reforma da Previdência Social. Essas ações são vistas como fundamentais para criar espaço fiscal, proteger as contas públicas dos choques econômicos e garantir a sustentabilidade fiscal no médio prazo.

O papel da política na retomada da credibilidade fiscal e econômica

O relatório deixa claro que o Brasil possui as ferramentas e o tamanho necessários para voltar a figurar entre os mercados financeiros globais de maior credibilidade. No entanto, o fator político segue sendo o principal freio para que o país realize o tão necessário ajuste fiscal. A superação das disputas ideológicas e a construção de um ambiente favorável à reforma são essenciais para que o Brasil possa desbloquear seu potencial econômico e garantir estabilidade financeira para as próximas gerações.

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