XP aponta que comunicado do Copom será mais rígido refletindo riscos elevadas da inflação e preços do petróleo
XP projeta comunicado do Copom mais duro para conter riscos inflacionários diante da alta do petróleo Brent e cenário econômico instável.
Comunicado do Copom deve refletir riscos inflacionários elevados e alta do Brent
O comunicado do Copom, previsto para divulgação nesta quarta-feira (29), deve apresentar um tom mais duro segundo avaliação da XP, que aponta para uma mensagem mais rigorosa diante do risco inflacionário e da alta dos preços do petróleo Brent, atualmente operando acima de US$ 100 por barril. Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que o Comitê de Política Monetária dará mais peso aos dados externos, sem interromper o ciclo de corte na taxa básica de juros, a Selic, no curto prazo.
Impactos da alta do petróleo e cenário externo na inflação brasileira
A escalada dos preços do Brent exerce pressão direta sobre a inflação em curto prazo, ampliando os riscos altistas anteriormente já presentes no horizonte. Apesar da recente volatilidade e do anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, as tensões geopolíticas permanecem, mantendo o petróleo em patamares elevados. Essa dinâmica reforça o alerta da XP para um cenário inflacionário mais desafiador, que deve influenciar as decisões do Copom nas próximas reuniões.
Pressões internas e indicadores econômicos que influenciam a política monetária
Internamente, o IPCA e seus núcleos registraram elevação entre janeiro e março, refletindo a aceleração da atividade econômica e o choque de energia. A média móvel anualizada do núcleo do IPCA saltou de 3,3% para 4,7%. Além disso, medidas de estímulo fiscal impulsionam a demanda, com o Produto Interno Bruto estimado em crescimento acima de 4% no primeiro trimestre de 2026, o que pode contribuir para a persistência das pressões inflacionárias.
Expectativas de corte da Selic e projeções de inflação para 2026 e 2027
A XP projeta um corte moderado de 0,25 ponto percentual na Selic nesta reunião, reduzindo a taxa para 14,50%, seguido por duas reduções adicionais de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, condicionadas à redução das tensões geopolíticas e à queda do preço do petróleo para a faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril. A previsão para o IPCA de 2026 foi revisada de 3,9% para 4,5%, enquanto para o quarto trimestre de 2027 a estimativa subiu ligeiramente para 3,4%, refletindo o cenário de inflação assimétrica para cima.
Papel da taxa de câmbio como amortecedor dos preços
Apesar das pressões inflacionárias, a apreciação do real frente ao dólar, em torno de 9% no ano, tem atuado como um amortecedor, amenizando os impactos do choque do petróleo na inflação. Esse movimento cambial decorre da posição favorável do Brasil diante do aumento do preço do petróleo, apoiada pelas elevações nas exportações e receitas fiscais, contribuindo para conter a inércia inflacionária.
Perspectivas para a política monetária e o ambiente econômico no período eleitoral
A XP considera que o Copom deverá manter uma postura de calibração cautelosa, com possibilidade de pausa durante o período eleitoral para avaliar a condução da política fiscal e seus efeitos sobre a inflação e o crescimento. A retomada do ciclo de flexibilização monetária dependerá do cenário fiscal e dos riscos inflacionários observados a partir de 2027.
Este panorama ressalta a complexidade do momento econômico brasileiro, em que a combinação de fatores externos e internos exige um equilíbrio delicado nas decisões do Copom para garantir a estabilidade dos preços e incentivar o crescimento sustentável.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Raphael Ribeiro/Banco Central





