Mercado de trabalho formal desacelera em abril com ritmo mais lento de criação de vagas

Dados do Caged revelam desaceleração gradual na geração de empregos formais, indicando acomodação no mercado apesar de patamares elevados de emprego e renda

O mercado de trabalho formal apresentou desaceleração lenta em abril, com geração de vagas abaixo do esperado, mas mantendo níveis elevados de emprego e renda.

Desaceleração gradual no mercado de trabalho formal em abril

Os dados do Caged para abril mostram que o mercado de trabalho formal brasileiro desacelerou sua criação de vagas, com saldo líquido de 85.888 postos. Essa desaceleração, embora considerada lenta e gradual, indica uma acomodação do mercado de trabalho formal, que ainda mantém patamares elevados de emprego e renda. André Valério, economista sênior, aponta que a atividade econômica deve continuar perdendo força nas próximas leituras, refletindo um ambiente com preços e juros mais altos.

Setores impactados pela desaceleração da geração de vagas

A análise detalhada dos setores revela que o comércio e a indústria registraram saldos negativos na geração de empregos em abril, enquanto os serviços e a construção civil mantiveram saldo positivo, porém em ritmo reduzido. Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, a desaceleração foi generalizada e corresponde ao menor ritmo mensal de criação de vagas desde o período da pandemia, ajustado pela sazonalidade.

Impacto da desaceleração sobre o desemprego e a renda

Apesar da desaceleração, o desemprego permanece em níveis historicamente baixos, e a renda do trabalhador formal mantém-se em patamares elevados. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, ressalta que a resiliência do mercado de trabalho tem sido um desafio para a política monetária, que enfrenta dificuldades para combater a inflação devido à estabilidade da ocupação e da renda.

Dinâmica salarial sinaliza moderação recente

A análise da XP destaca que a dinâmica salarial aponta para uma moderação, com o salário nominal de admissão crescendo 6,0% no ano, enquanto o salário de desligamento aumentou 5,4%, abaixo da média dos meses anteriores. Em termos reais, o salário médio de admissão ficou estável, enquanto o de desligamento recuou 0,8%, indicando ajuste na remuneração no contexto atual.

Projeções para o mercado de trabalho em 2026

As projeções para o ano indicam que o ritmo médio de criação de empregos formais deve reduzir de aproximadamente 110 mil por mês em 2025 para cerca de 90 mil por mês em 2026. Isso se alinha com a expectativa de uma demanda interna resiliente, sustentada por medidas de estímulo à renda e ao crédito, porém dentro de um cenário econômico mais restritivo. A criação líquida de empregos formais para 2026 é estimada em 1,05 milhão, refletindo a desaceleração gradual apontada pelos dados recentes.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Marcello Camargo/Agência Brasil

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