Operação Wi-Fi apura desvios e superfaturamento em contrato com produtora ligada ao filme Dark Horse
A Operação Wi-Fi investiga suspeita de fraude em contrato da Prefeitura de São Paulo com produtora ligada ao filme Dark Horse.
Confira a programação da Operação Wi-Fi e principais suspeitas
A Operação Wi-Fi, iniciada na manhã de 1º de junho de 2026, visa investigar a suspeita de fraude em contrato de wi-fi envolvendo a Prefeitura de São Paulo e a produtora Instituto Conhecer Brasil (ICB). O acordo previa a implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à internet sem fio em comunidades periféricas da capital paulista.
Contrato original: Implantação e operação de 5.000 pontos de acesso – valor previsto de R$ 108 milhões.
Realidade constatada: Apenas 3.200 pontos foram instalados e mantidos.
Pagamentos realizados: Antecipação de R$ 26 milhões pela prefeitura sem a contraprestação adequada.
Pontos em funcionamento: Somente seis pontos efetivamente operacionais durante o período investigado.
Contexto da investigação e atuação da Polícia Civil
A investigação aponta que o contrato entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o ICB foi firmado após chamamento público em 2024, quando nem mesmo a produção do filme Dark Horse havia começado. O contrato foi alvo de três aditivos em curto espaço de tempo, suspeitos de tentar disfarçar o atraso na instalação dos equipamentos.
A Polícia Civil identificou indícios de superfaturamento, com valores mensais por ponto muito acima do mercado, e suspeitas de desvio de verba pública para a produtora Go Up Entertainment Ltda, vinculada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da ICB.
Análise dos valores e comparação com mercado
O contrato estipulava pagamento de R$ 1.800 por ponto para manutenção, valor que supera em quase seis vezes os R$ 306 cobrados pela empresa pública Prodam para serviço semelhante. Para 2026, o custo estimado foi de R$ 1.280,80 por ponto/mês, ainda inferior a propostas anteriores recebidas em 2022, mas acima dos parâmetros de mercado.
Essa discrepância financeira sustenta a suspeita de superfaturamento e má gestão dos recursos públicos, afetando a eficiência do programa Wi-Fi Livre e a transparência da administração municipal.
Impactos e repercussões para a gestão municipal
A investigação da Operação Wi-Fi lança dúvidas sobre a condução dos processos licitatórios e a fiscalização dos contratos públicos em São Paulo. A Prefeitura afirma que todo o processo seguiu os princípios de legalidade e que há colaboração plena com as autoridades, destacando também o acompanhamento do Tribunal de Contas do Município.
No entanto, a diferença entre o previsto e o realizado, o elevado custo dos serviços e os pagamentos antecipados sem entrega efetiva preocupam especialistas em gestão pública e podem resultar em ações administrativas e judiciais.
Transparência e resposta da Prefeitura diante das denúncias
Em nota oficial divulgada no dia 1º de junho, a Prefeitura de São Paulo repudia veementemente as acusações de desvio de recursos públicos, afirmando que o contrato com o ICB seguiu rigorosamente as normas vigentes.
A gestão ressalta que o chamamento público foi aberto e que o valor contratado está abaixo de outras propostas recebidas recentemente. A prefeitura também destaca que todo o material requisitado para a investigação já foi fornecido às autoridades competentes.
A Operação Wi-Fi segue em curso, com a expectativa de aprofundamento das apurações e esclarecimento dos fatos para garantir a correta aplicação dos recursos públicos em benefício da população.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Fábio Vieira/Metrópoles





