Senado aprova decreto que restringe aborto legal para crianças e adolescentes

Carlos Moura/Agência Senado

Medida suspende resolução do Conanda e limita acesso ao aborto em casos previstos por lei

Senado aprova decreto que restringe aborto legal para crianças e adolescentes
Senado sustou norma sobre aborto em crianças e adolescentes Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Senado aprova decreto que dificulta aborto legal em crianças, suspendendo resolução que garantia atendimento rápido e sigiloso.

Senado aprova decreto que restringe aborto legal em crianças e adolescentes

Nesta terça-feira (2), o Senado aprovou o projeto de decreto legislativo que dificulta o aborto legal em crianças e adolescentes, suspendendo uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida, relatada pela senadora Damares Alves e proposta pela deputada Chris Tonietto, suspende a norma que permitia menores de 14 anos realizarem aborto em qualquer mês de gestação nos casos de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia fetal. A keyphrase “aborto legal em crianças” se destaca como tema central dessa decisão que já está em vigor.

Contexto e fundamentos do decreto legislativo aprovado pelo Senado

A resolução do Conanda, que foi suspensa pelo decreto legislativo, previa o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e garantir atendimento rápido e sigiloso às vítimas. A senadora Damares Alves argumentou que o conselho ultrapassou suas atribuições ao disciplinar temas que dependem de deliberação legislativa, ressaltando que o Conanda foi criado para formular diretrizes e acompanhar políticas públicas, e não para criar direitos ou restringir prerrogativas previstas em lei. A aprovação do decreto no Senado segue a decisão da Câmara dos Deputados e ainda havia passado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Impactos potenciais na proteção dos direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência

A suspensão da resolução do Conanda pode dificultar o acesso das crianças e adolescentes ao aborto legal em casos previstos em lei, como estupro e risco de vida, uma vez que elimina orientações importantes sobre o atendimento ágil e sigiloso e o preparo dos profissionais da saúde para lidar com essas situações. Especialistas e entidades de defesa dos direitos humanos alertam para o risco de aumento da vulnerabilidade dessas vítimas, além de possíveis prejuízos para a efetivação de políticas públicas voltadas à proteção da infância e adolescência.

Repercussões políticas e sociais do decreto legislativo no cenário nacional

A aprovação do decreto legislativo, que já está em vigor sem necessidade de sanção presidencial, reflete uma crescente mobilização política em torno do tema do aborto no Brasil. A movimentação legislativa evidencia a polarização existente sobre direitos reprodutivos e a atuação de parlamentares com pautas conservadoras. O debate provocado pela medida traz à tona questões sobre a separação dos poderes e a competência do Conanda para legislar sobre direitos fundamentais.

A tramitação legislativa e os próximos passos esperados para a norma aprovada

O projeto de decreto legislativo que dificulta o aborto legal em crianças foi aprovado pela Câmara no ano anterior e concluiu sua tramitação no Senado em 2 de junho de 2026, passando também pela Comissão de Direitos Humanos. Como decreto legislativo, a medida tem força imediata e dispensa sanção presidencial. Resta acompanhar como o Poder Executivo, o Judiciário e a sociedade civil irão reagir a essa decisão, além dos possíveis impactos legais e sociais decorrentes da restrição ao acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes.

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