Brasil deve retirar veto a acordo global sobre e-commerce em diálogo com os EUA

Denis Balibouse

Governo sinaliza mudança na postura para avançar nas negociações comerciais e evitar tarifas americanas

Brasil sinaliza retirar veto a acordo global sobre e-commerce para aliviar tensões com os EUA e evitar tarifas de até 25%.

Brasil sinaliza mudança ao retirar veto a acordo global sobre e-commerce

O veto a acordo global sobre e-commerce, imposto pelo Brasil na conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Camarões, deve ser retirado em sinal de distensão nas negociações com os Estados Unidos. A decisão visa evitar a aplicação de tarifas punitivas de 25% que os EUA ameaçam impor a partir de 15 de julho. O chanceler Mauro Vieira liderou a delegação brasileira na reunião, que contou com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a postura inicial, mas agora o governo busca reverter essa posição para avançar o diálogo. Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), desempenha papel central na negociação, representando os interesses americanos.

Contexto histórico e impacto do veto brasileiro na OMC

Em março, o Brasil barrou a prorrogação da moratória global sobre tarifas de transmissões eletrônicas, acordo vigente desde 1998 que proíbe taxas sobre serviços digitais como streaming e downloads. A moratória estava para vencer em 2026, e os EUA pediam sua extensão permanente, enquanto o Brasil defendia uma renovação mais curta, de no máximo dois anos, citando rápida transformação do comércio eletrônico. A decisão brasileira impediu o consenso na OMC, que funciona por consenso entre seus membros. Além do veto, o Brasil contestava a falta de avanços na reforma da OMC e criticava as tarifas diferenciadas e fora das regras multilaterais impostas pelos EUA nas últimas décadas.

Repercussões econômicas e negociações bilaterais entre Brasil e EUA

A postura inicial brasileira gerou insatisfação em Washington, com relatos de que Jamieson Greer deixou a conferência irritado, responsabilizando o Brasil pela paralisação do acordo. A ameaça de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, que podem chegar a 37% cumulativamente, elevou a tensão comercial. Com a nova sinalização de retirar o veto, o governo brasileiro tenta criar um ambiente propício para um acordo que envolva além das tarifas, temas como minerais críticos e comércio eletrônico, áreas estratégicas para ambos os países. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o USTR devem intensificar as conversas, possivelmente com participação virtual do representante americano.

Implicações para o comércio eletrônico global e o papel da OMC

O acordo global sobre comércio eletrônico é fundamental para definir regras claras e evitar tarifas sobre serviços digitais, segmento em rápida expansão. A moratória protege setores tecnológicos e facilita o comércio internacional de bens e serviços digitais. A decisão brasileira de rever o veto pode acelerar a extensão da moratória por um período intermediário entre curto e longo prazo, promovendo estabilidade regulatória. Isso também reflete a importância da OMC como fórum multilateral para a resolução de conflitos comerciais, ainda que fragilizada por impasses e falta de reformas essenciais.

Próximos passos nas negociações e perspectivas para o comércio bilateral

Nas próximas semanas, o Brasil e os Estados Unidos devem realizar novas rodadas de negociação visando um acordo abrangente que evite o tarifação punitiva e fortaleça a cooperação comercial. A expectativa é que o veto seja formalmente retirado, permitindo a renovação da moratória sobre comércio eletrônico por quatro ou cinco anos, conforme desejado pelos EUA. Essa movimentação sinaliza disposição para superar divergências e garantir previsibilidade nas relações comerciais, contribuindo para o ambiente econômico global e a estabilidade do comércio digital.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Denis Balibouse

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