Antecipação no pagamento de precatórios impulsiona aumento expressivo nas despesas e aprofunda rombo fiscal em março
Déficit primário do governo em março é o pior em 30 anos, afetado pela antecipação no pagamento de precatórios e aumento das despesas.
Análise do déficit primário do governo em março de 2026
O déficit primário do governo atingiu R$ 73,783 bilhões em março de 2026, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Este é o pior resultado para o mês em 30 anos, desde o início da série histórica em 1997. A keyphrase “déficit primário do governo” reflete este cenário de desequilíbrio fiscal intensificado pela antecipação dos pagamentos de precatórios. A disparada nas despesas, liderada por desembolsos judiciais, previdenciários e gastos com pessoal, foi um fator determinante para esse rombo.
Impacto da antecipação dos pagamentos de precatórios nas contas públicas
A principal causa para o aumento significativo do déficit primário do governo neste março foi a alteração no cronograma dos pagamentos de precatórios. Tradicionalmente concentrados em julho, os desembolsos foram antecipados para março, gerando um aumento adicional de R$ 34,9 bilhões em pagamentos judiciais. Essa mudança elevou as despesas totais do governo em 49,2% em termos reais, pressionando fortemente o balanço fiscal e exigindo atenção das autoridades para o manejo dos recursos públicos.
Crescimento das receitas e sua insuficiência para conter o rombo fiscal
Apesar do cenário negativo, as receitas líquidas do governo apresentaram um incremento real de 7,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando R$ 196,098 bilhões. Esse aumento foi sustentado por um crescimento de 6,2% na arrecadação tributária e 5,9% na receita líquida da Previdência. No entanto, esse crescimento não foi suficiente para equilibrar o aumento expressivo das despesas, demonstrando a complexidade do desafio fiscal enfrentado.
Comparação histórica e perspectivas para o equilíbrio fiscal
Contrastando com o superávit de R$ 1,527 bilhão registrado em março de 2025, o atual déficit evidencia uma reversão significativa das contas públicas. O resultado acumulado em 12 meses também aponta para um déficit de R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse dado sinaliza a necessidade de políticas fiscais mais rigorosas para controlar o crescimento das despesas e evitar impactos econômicos mais severos no médio prazo.
Desafios e medidas para a sustentabilidade das finanças públicas
O cenário atual coloca em evidência a importância do controle das despesas e da gestão eficiente dos pagamentos judiciais para a sustentabilidade fiscal do governo. A antecipação dos precatórios, apesar de atender a demandas judiciais, compromete o fluxo financeiro e exige estratégias para mitigar o impacto sobre o déficit primário. Autoridades econômicas precisam avaliar medidas que conciliem o cumprimento das obrigações com a manutenção da saúde fiscal do país.
Fonte: www.infomoney.com.br





