A nova Comunhão Anglicana Global rejeita a autoridade de Canterbury em resposta a mudanças doutrinárias e busca restaurar os ensinamentos originais
A Global Fellowship of Confessing Anglicans rompe com Canterbury e busca reafirmar a autoridade bíblica no anglicanismo.
Confira a programação completa da conferência em Abuja
- 3 a 6 de março / Abuja, Nigéria: 347 bispos anglicanos de 27 províncias, junto com 127 líderes leigos e clérigos, participaram da conferência que culminou na adoção da “Afirmação de Abuja”.
Contexto da criação da Global Fellowship of Confessing Anglicans
A Global Fellowship of Confessing Anglicans nasceu como resposta direta à crescente insatisfação com a liderança da Comunhão Anglicana sob Canterbury. A keyphrase “Global Fellowship of Confessing Anglicans” define esse movimento que aconteceu entre 3 e 6 de março em Abuja, Nigéria. A nova comunhão busca reafirmar a fidelidade bíblica e os ensinamentos históricos do anglicanismo, enfrentando a percepção de perda da autoridade das Escrituras e a flexibilização nos padrões doutrinários.
Rejeição explícita das estruturas tradicionais de Canterbury
Um dos pontos centrais da declaração adotada em Abuja é a rejeição clara dos “Instrumentos de Comunhão” ligados a Canterbury, como o Arcebispo de Canterbury, a Conferência de Lambeth, o Conselho Consultivo Anglicano (ACC) e a Reunião dos Primazes. O documento aponta que essas estruturas falharam em manter a disciplina e a doutrina bíblica, promovendo o pluralismo hermenêutico e legitimando posições consideradas desviantes do Evangelho.
Questões doutrinárias e a controvérsia sobre a sexualidade humana
Embora a bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo tenha sido um catalisador importante, a declaração destaca que o problema é mais profundo, envolvendo a autoridade das Escrituras e a compreensão da doutrina cristã. A liderança da Igreja da Inglaterra, sob Justin Welby e, posteriormente, Sarah Mullally, é criticada por fornecer apoio litúrgico a essas uniões e por tratar essas divergências como “boa discordância” ao invés de falso ensinamento.
Definição da nova comunhão como comunidade confessional
A Global Fellowship of Confessing Anglicans se define como uma comunhão confessional, focada na fé compartilhada e não em estruturas institucionais. A Declaração de Jerusalém (2008), os Trinta e Nove Artigos e o Livro de Oração Comum de 1662 são suas principais referências doutrinárias. Os participantes afirmam que representam a Comunhão Anglicana histórica reorganizada, não uma alternativa.
Liderança e influência do Sul Global no anglicanismo
A conferência em Abuja confirmou a presidência de Laurent Mbanda (Ruanda), com Miguel Uchôa (Brasil) como vice-presidente e Paul Donison (Canadá) como secretário-geral. A Gafcon tem forte presença na África, Ásia e América Latina, regiões onde o anglicanismo mantém posições conservadoras, indicando uma mudança na influência global para o Sul Global.
Caminhos para desvinculação e reorganização da comunhão anglicana
Os bispos presentes apelaram para uma “separação baseada em princípios” de Canterbury, recomendando que as províncias e dioceses modifiquem suas constituições para retirar referências à Sé de Canterbury, mesmo que isso demande processos complexos e demorado. A Gafcon apoia tanto anglicanos em províncias “revisionistas” quanto aqueles em jurisdições autenticadas pela própria organização.
Histórico do cisma e impacto no anglicanismo global
As tensões que levaram à criação da Gafcon remontam a mais de 20 anos, destacando a consagração de Gene Robinson, o primeiro bispo abertamente gay nos Estados Unidos, em 2003. Desde então, o movimento tem desafiado a autoridade do Arcebispo de Canterbury, propondo uma redefinição da comunhão anglicana que preserve a integridade dos ensinamentos bíblicos tradicionais.
Fonte: folhagospel.com
Fonte: GAFCON





