Iraque enfrenta desafios para proteger minorias religiosas após derrota do Estado Islâmico

Relatório parlamentar destaca insegurança contínua e apela a ações enérgicas para cristãos e yazidis na Região do Curdistão e além

Iraque enfrenta desafios para proteger minorias religiosas após derrota do Estado Islâmico
Cristãos em um Centro de Esperança em uma igreja histórica, no Iraque

Relatório parlamentar destaca que minorias religiosas no Iraque continuam vulneráveis e reivindica medidas urgentes para garantia de segurança e direitos.

Panorama atual das minorias religiosas no Iraque em 2026

O relatório parlamentar sobre as minorias religiosas no Iraque revela que, apesar da derrota do Estado Islâmico, cristãos, yazidis e outras comunidades continuam enfrentando desafios graves. Com uma população estimada em 42 milhões, o país abriga ainda cerca de 3% de minorias não muçulmanas, número que vem reduzindo devido a conflitos e migrações. O deputado Jim Shannon, presidente do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Religião ou Crença, enfatizou que a visita à Região do Curdistão proporcionou uma visão direta das condições enfrentadas por essas comunidades.

Medidas do Governo Regional do Curdistão para proteção e reconstrução

A Região do Curdistão Iraquiano apresenta um histórico relativamente positivo de proteção às minorias, destacando-se pelo apoio a campos de deslocados, doação de terrenos para instituições religiosas e sociais, e investimentos em infraestrutura comunitária. Projetos liderados por líderes religiosos, como a Escola Internacional Mar Qardakh, o Hospital Maryamana e a Universidade Católica de Erbil, reforçam a resiliência dessas comunidades. Estudantes de diversas crenças ressaltam o ambiente de respeito mútuo promovido pela universidade.

Desafios persistentes: insegurança, migração e implementação do Acordo de Sinjar

Apesar dos avanços, o relatório destaca a falha na implementação integral do Acordo de Sinjar, crucial para o retorno seguro dos yazidis às suas terras históricas. A comunidade yazidi continua marcada pelo trauma do genocídio, com cerca de 350 mil deslocados e mais de 2.500 desaparecidos. A insegurança, atividade de milícias e a lenta reconstrução agravam a situação, enquanto o desemprego impulsiona a migração, principalmente entre os jovens das comunidades cristãs.

Recomendações para atuação do Reino Unido e do governo iraquiano

O documento conclama o Reino Unido a intensificar os esforços diplomáticos para apoiar a implementação do Acordo de Sinjar, promover a responsabilização pelos crimes do ISIS e manter diálogo constante com líderes religiosos. Para o governo federal do Iraque, a recomendação é melhorar a segurança em regiões como Mosul e Bagdá, desarmar milícias, exumar valas comuns e reconhecer formalmente o genocídio. Também é destacado o necessário consenso orçamentário entre Bagdá e o Curdistão para viabilizar o desenvolvimento e minimizar a crise dos deslocados.

Perspectivas para o futuro das minorias religiosas no Iraque

O relatório ressalta que, embora haja sinais de reconstrução e convivência pacífica na Região do Curdistão, as pressões políticas, econômicas e de segurança ainda ameaçam o futuro das minorias religiosas no Iraque. A necessidade de apoio internacional renovado e ações governamentais mais enérgicas é urgente para garantir a preservação cultural, a liberdade religiosa e a estabilidade dessas comunidades. A resiliência constatada nas visitas e entrevistas reforça a importância de políticas inclusivas e sustentáveis.

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