Estado duplica estruturas de investigação técnica em oito anos com investimento de R$ 16,7 milhões

Polícia Científica do Paraná duplica presença no Estado com 20 unidades plenas e cinco postos avançados. Investimento de R$ 16,7 milhões fortalece capilarização de serviços.
A Polícia Científica do Paraná intensifica sua atuação territorial com a inauguração de novas unidades plenas e postos avançados em diferentes regiões do Estado, consolidando uma estratégia de expansão que dobrou o número de estruturas em oito anos.
Crescimento acelerado de estruturas técnicas
Entre 2018 e 2026, a instituição responsável pela produção de provas periciais ampliou sua rede de atendimento de forma substancial. O incremento de recursos públicos — totalizado em R$ 16,7 milhões — permitiu não apenas a construção de novas sedes, mas também a equipagem adequada para realizar exames de elevada complexidade técnica.
As novas unidades cobrem áreas geográficas anteriormente carentes de atendimento direto. Cidades como Apucarana, Campo Mourão, Ivaiporã, Jacarezinho, Paranavaí, Pato Branco, Telêmaco Borba, Toledo e União da Vitória receberam estruturas plenas. Complementando essa rede, cinco postos avançados foram instalados em Irati, Cianorte, Loanda, Matinhos e na Casa da Mulher Brasileira em Curitiba, direcionados para atendimentos especializados e maior agilidade processual.
Ponta Grossa como modelo de inovação
A nova sede da Unidade de Execução Técnico-Científica em Ponta Grossa exemplifica o padrão de modernização adotado. Com 2,8 mil metros quadrados de área construída e investimento exclusivo de R$ 15,4 milhões, a unidade representa um marco institucional: é a primeira sede da Polícia Científica integrada a um campus universitário, neste caso dentro da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
A estrutura dispõe de um portfólio de 122 tipos de exames periciais, abrangendo criminalística, tanatologia forense, necropsia, análise de lesões corporais e investigação de violência sexual. Essa diversificação amplia significativamente a capacidade de resposta do sistema de justiça paranaense nos Campos Gerais.
Estratégia territorial: descentralização com qualidade
O Posto Avançado de Irati exemplifica a lógica de desconcentração geográfica. Inaugurado para atender a região Centro-Sul, reduz deslocamentos desnecessários para dez municípios antes vinculados a unidades distantes: Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Imbituva, Inácio Martins, Ivaí, Mallet, Prudentópolis, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares.
Com oito profissionais em seu quadro inicial — cinco técnicos e três peritos — o posto funciona sob supervisão da unidade de União da Vitória, mantendo padrões técnicos e administrativos consistentes. Essa aproximação dos municípios reduz custos operacionais e acelera a produção de laudos essenciais para investigações criminais.
Similarmente, a sede de Telêmaco Borba estende os serviços a nove municípios: Arapoti, Curiúva, Figueira, Imbaú, Ortigueira, Reserva, Sapopema, Tibagi e Ventania. A unidade oferece não apenas perícias de criminalística, mas também tanatologia forense, expandindo a oferta de serviços de diagnóstico técnico para casos de morte.
Impacto no sistema de justiça
A expansão da Polícia Científica paranaense reflete uma transformação estrutural na investigação criminal estadual. Quando a produção de provas técnicas permanecia concentrada em poucas sedes regionais, municípios menores enfrentavam atrasos nas investigações e custos elevados de deslocamento de profissionais especializados.
Com a capilarização dos serviços, espera-se redução nos tempos de processamento de evidências, maior eficiência nas investigações de homicídios, crimes sexuais e outros delitos graves. A proximidade entre peritos e cenas de crime também melhora a qualidade das coletas iniciais de material biológico e vestígios físicos.
Visão prospectiva
O modelo de investimento contínuo em infraestrutura, equipamentos e formação de pessoal posiciona o Paraná como referência em tecnologia forense no Brasil. A integração de unidades em ambientes acadêmicos, como em Ponta Grossa, cria oportunidades para pesquisa, treinamento de novos peritos e atualização de metodologias conforme avança a ciência forense.
O modelo territorial adotado — unidades plenas em cidades médias e postos avançados em centros menores — sugere viabilidade de replicação em outros estados, consolidando um padrão de descentralização que prioriza qualidade técnica sem abandonar eficiência operacional e capilaridade social.




