Comissão aprova PL que criminaliza misoginia na legislação penal

Tabata Amaral Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Projeto de lei sobre ódio contra mulheres é aprovado em grupo de trabalho e segue para votação no plenário da Câmara

Comissão aprova PL que criminaliza misoginia na legislação penal
Tabata Amaral durante discussão do projeto na Câmara. Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados — Tabata Amaral Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Grupo de trabalho da Câmara aprova parecer que enquadra misoginia como crime com penas similares ao racismo. Projeto já foi aprovado no Senado.

PL da misoginia é aprovado em comissão e deve ir a plenário

O grupo de trabalho da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o parecer que transforma o ódio contra mulheres em crime equiparado ao racismo, abrindo caminho para uma votação na Casa nas próximas semanas. O projeto de lei 896/23 busca enquadrar atitudes discriminatórias baseadas em gênero dentro da legislação penal brasileira.

Definição legal de misoginia e abrangência

Misoginia refere-se ao ódio, aversão ou preconceito contra mulheres, englobando também práticas que inferiorizam ou violam direitos femininos. A proposta, já aprovada no Senado Federal, inclui manifestações de machismo, violência psicológica, agressões físicas e comportamentos discriminatórios que historicamente permanecem impunes ou com penalidades insuficientes.

O texto amplia a incidência punitiva especialmente para casos propagados na internet com objetivo de obter lucro, audiência, engajamento ou visibilidade, refletindo a realidade das redes sociais como espaço de amplificação de discursos de ódio contra mulheres.

Argumento central sobre violência cumulativa

Em seu relatório, a deputada responsável pelo parecer destacou haver uma convergência central sobre “a íntima relação entre o discurso de ódio e inferiorização das mulheres e a prática de crimes graves”. A análise evidencia que feminicídio é frequentemente uma “morte anunciada”, precedida por violência verbal e simbólica que cria o terreno propício para crimes extremos.

Esta perspectiva reconhece que o ódio verbalizado contra mulheres não representa meramente ofensa pessoal, mas funciona como preditor de escalation para agressões físicas e letais.

Estrutura de proteção e atendimento especializado

Entre os mecanismos previstos encontra-se o fortalecimento do atendimento policial especializado às vítimas, considerando sua vulnerabilidade e risco de revitimização no processo de denúncia. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) ganham destaque como estrutura fundamental da rede de proteção.

A proposta busca consolidar esses espaços como ambientes de acolhimento qualificado e humanizado, onde mulheres que enfrentam violência decorrente de misoginia recebam atendimento adequado.

Ampliação das medidas preventivas

O projeto também modifica o artigo 8º da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), acrescentando medidas de prevenção da violência doméstica e familiar. Além disso, prevê a realização de campanhas públicas de enfrentamento à misoginia como ferramenta de mudança cultural.

Trajetória legislativa e calendário de votação

Apesar da aprovação em grupo de trabalho, o projeto ainda precisa ser votado no plenário da Câmara dos Deputados. Havia expectativa de análise ainda nesta terça-feira, porém os líderes partidários chegaram a acordo para pautar a matéria na última semana de junho, permitindo mais tempo para negociação e discussão entre bancadas.

O adiamento decorre também da retirada do regime de urgência para outra proposta governamental, viabilizando melhor gestão da agenda legislativa.

Continue acompanhando nosso portal para mais notícias!

plugins premium WordPress