Em julgamento da Segunda Turma, relator defende manutenção de preventivas e rebate comparações com Lava Jato

Ministro relator do caso Master rebate divergência do decano sobre prisões preventivas e contesta analogias com operações anteriores
Mendonça defende investigação do Master contra críticas sobre rigor processual
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal manteve na terça-feira as prisões preventivas de Henrique Vorcaro e de outro familiar do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em decisão que evidenciou tensões interpretativas sobre condutas processuais entre magistrados da Corte.
Divergência de Gilmar sobre métodos investigativos
O decano Gilmar Mendes exerceu voto solitário pela libertação dos investigados, utilizando sua fundamentação para questionar procedimentos que, segundo sua avaliação, assemelham-se a práticas de operações judiciárias anteriormente criticadas pela comunidade jurídica. O ministro argumentou que investigadores não podem adotar metodologias próprias de atividade policial, ressaltando uma distinção fundamental entre papéis institucionais.
Gilmar também apontou irregularidades processuais, especificamente a inclusão de documentação produzida pela Polícia Federal nos autos com poucas horas de antecedência à sessão. Essa situação, conforme sua análise, prejudicou a capacidade de defesa adequada e análise fundamentada por parte dos demais integrantes do colegiado. O ministro enfatizou que jurisdição penal opera mediante disclosure de informações, não por ocultação.
Resposta do relator sobre a magnitude da investigação
André Mendonça, na condição de relator, estruturou sua resposta em torno da escala e natureza do esquema sob investigação. Distinguindo o caso da discussão sobre outras operações, reafirmou estar julgando o que qualificou como a maior fraude financeira do país, transcendendo comparações históricas.
Segundo o relator, as apurações indicam estrutura organizacional com atributos de associação criminosa sofisticada, incluindo posse de armamento pesado e penetração em estruturas de segurança pública. Tais características, em sua lógica argumentativa, justificam medidas cautelares de natureza mais incisiva.
Presunção de integridade e coragem institucional
Mendonça incorporou à sua manifestação reflexão sobre responsabilidade ministerial, evocando diálogo prévio com Gilmar sobre as exigências do cargo. Afirmou não estar submetido a coação externa ou pressões reputacionais ao tomar suas decisões, desvinculando suas escolhas de influências midiáticas ou da opinião pública.
O ministro também reforçou fundamentos específicos para a manutenção da preventiva de Henrique Vorcaro, deslocando o foco de relações familiares para indícios concretos de obstrução processual. Mencionou suspeitas de compra de silêncio de testemunhas e articulações posteriores à morte de um investigado sob custódia, elementos que, em sua interpretação, justificam a cautela.
Transferência para sistema federal e preservação de integridade
A movimentação de Vorcaro para presídio federal integrou a estratégia de Mendonça de demonstrar preocupação com integridade física do investigado frente a riscos associados a estruturas criminosas de maior envergadura. Essa medida, segundo sua perspectiva, não constitui excesso de autoridade, mas proteção processual adequada.
O desacordo entre os ministros reflete debate mais amplo sobre calibragem de poder estatal em investigações de crime organizado financeiro, onde procedimentos investigativos intensivos encontram questionamentos sobre preservação de direitos procedimentais e distinção entre papéis institucionais de investigadores e julgadores.





