Pregador cristão em Yunnan recebe intimação das autoridades após conduzirem estudos bíblicos pela plataforma Zoom, reacendendo debate sobre restrições religiosas na China

Pregador cristão na China foi intimado a cessar reuniões de oração e estudos bíblicos online. Visita de sete agentes governamentais marca nova pressão sobre liberdade religiosa no país.
Um pregador cristão em Yunnan, sudoeste da China, tornou-se alvo de restrições governamentais por conduzir reuniões de oração e estudos bíblicos através de plataforma de videoconferência, ampliando o debate sobre liberdade religiosa na região.
No dia 3 de junho, sete representantes do Departamento de Assuntos Étnicos e Religiosos e outros órgãos estatais compareceram à residência do pregador Chang Hao para entregar notificação oficial. O documento exigia encerramento imediato de todas as atividades organizadas online, sob alegação de violação dos Regulamentos sobre Assuntos Religiosos do país.
Fundamentação legal das autoridades chinesas
Os agentes governamentais apresentaram capturas de tela de encontros virtuais como prova das atividades questionadas. Segundo a perspectiva oficial, os encontros carecem de autorização para ensino de doutrina cristã e realização de sessões de oração coletivas. A notificação advertia sobre possíveis sanções administrativas e eventual abertura de investigação criminal caso as atividades prosseguissem.
Durante a abordagem, os agentes documentaram a conversa através de gravação, enquanto Chang Hao registrou a visita por fotografias e vídeos. Cinco viaturas participaram da operação na residência do pregador.
Projeto “17h na China” e suas implicações
Os encontros interditados fazem parte da iniciativa denominada “17h na China – Reunião de Oração do Reino”, que reúne diariamente cristãos de diferentes localidades para interceder por fiéis detidos ou presos em razão de sua fé. A plataforma funcionava como espaço de conexão espiritual entre comunidades religiosas dispersas geograficamente.
No dia seguinte à visita, a conta de Chang Hao em aplicativo de mensagens também teve seu acesso restringido pelas plataformas, intensificando a pressão sobre suas atividades religiosas.
Resposta do pregador e questões constitucionais
Em resposta às restrições impostas, Chang Hao publicou declaração pública afirmando que fé não constitui crime. O pregador argumentou que suas práticas não violam a Constituição da República Popular da China nem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e que disposições conflitantes com esses documentos carecem de legitimidade legal.
Chang Hao possui histórico de atuação em defesa de liberdade religiosa e direitos de grupos vulneráveis. Esta não é sua primeira confrontação com autoridades locais, que o investigaram anteriormente por atividades relacionadas à fé cristã.
Contexto ampliado de pressões religiosas
O episódio representa mais um capítulo nas crescentes restrições à prática religiosa independente na China. Organizações que monitoram violações de direitos humanos na região têm documentado pressão sistemática contra comunidades religiosas que não operam sob supervisão estatal rigorosa. O caso de Chang Hao ilustra as tensões entre regulações governamentais e exercício individual de consciência religiosa em contextos autoritários.




