Operação Compliance Zero da PF investiga pagamento de camarote na Califórnia ao líder do governo no Senado e familiares

Investigação revela que empresário Augusto Lima financiou despesas de show internacional para senador petista e quatro parentes. Operação cumpre 18 mandados em três estados.
A Polícia Federal identificou que Augusto Lima, ex-integrante do Banco Master, custeou despesas de apresentação artística internacional realizada na Califórnia destinada ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e familiares, conforme documentação de investigação deflagrada nesta quinta-feira (18). O montante alcançou R$ 63,3 mil exclusivamente em ingressos para camarote.
Cronologia de aquisição dos ingressos
Documentos da investigação revelam troca de mensagens entre os investigados em novembro de 2023. Em 23 de novembro, Wagner indagou Lima sobre ingressos para evento agendado no dia 25 do mesmo mês. O empresário forneceu os arquivos de acesso ao camarote e, após solicitação de ampliação para cinco pessoas, respondeu afirmativamente: “Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.”
Empresa intermediária nas transações
A aquisição dos ingressos foi realizada pela Reag Investimento, gestora identificada pela PF como vinculada à estrutura fraudulenta do Banco Master. Documentos indicam ainda envolvimento de João Carlos Mansur nas negociações, segundo relatórios do ministro André Mendonça que instruem a abertura da operação.
Amplitude e alcance da operação Compliance Zero
A nona fase da operação Compliance Zero culminou no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Ações ocorreram simultaneamente na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Além de buscas domiciliares, foram implementadas medidas cautelares diversificadas: suspensão de passaportes e impedimento de comunicação entre investigados.
Acusações formalizadas contra os envolvidos
Os investigados enfrentam acusações de corrupção passiva, corrupção ativa e operações de lavagem de dinheiro. Jaques Wagner, como líder governamental no Senado, e Augusto Lima, empresário com histórico em instituições financeiras, figuraram como principais alvos da fase atual. A defesa de Lima repudiou as acusações, classificando a operação como desnecessária e afirmando disponibilidade para esclarecimentos há seis meses.
Posicionamento das defesas
Representantes legais de Augusto Lima enfatizaram que o investigado atuou dentro dos marcos legais, com transparência e conformidade aos regulamentos que norteiam o sistema financeiro e administração pública. O espaço para pronunciamento da defesa de Jaques Wagner permanecia aberto no momento da investigação, sem resposta obtida até o fechamento dos autos.





