Jaques Wagner nega ligação com Banco Master após operação da PF

O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou justificativas depois da operação da PF  • Carlos Moura/Agência Senado

Senador rebate acusações e justifica presença de dólares e euros encontrados em endereços seus em Brasília e Salvador

Jaques Wagner nega ligação com Banco Master após operação da PF
Senador Jaques Wagner nega recebimento de valores do Banco Master. Foto: Carlos Moura/Agência Senado — Foto: O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou justificativas depois da operação da PF  • Carlos Moura/Agência Senado

Líder do governo no Senado refuta acusações após apreensão de cerca de R$ 480 mil em espécie em operação da Polícia Federal nesta quinta-feira.

O senador Jaques Wagner apresentou esclarecimentos sobre a operação realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), negando qualquer envolvimento em irregularidades ligadas ao Banco Master. Em entrevista, o líder governista no Senado afirmou categoricamente não ter recebido proveito financeiro ilícito durante seu mandato.

Justificativa para valores em espécie

A investigação aponta a apreensão de aproximadamente 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) em endereços associados ao parlamentar. Conforme sua defesa, parte significativa desses montantes origina-se de diárias recebidas desde 2019, totalizando cerca de 79 mil dólares. Wagner explicou que adquire moeda estrangeira por meio do Banco do Brasil para fins de deslocamento internacional, prática que justificaria a guarda de valores em cofres.

O senador mencionou ainda que envelopes com timbre do Senado Federal estavam entre os materiais apreendidos em Brasília, decorrentes de recebimentos de diárias em espécie. Segundo sua narrativa, a manutenção de dinheiro em cofres ocorre porque nem sempre realiza gastos em numerário, preferindo cartão de crédito para transações cotidianas.

Minimização de relacionamento com envolvidos

Wagner caracterizou sua relação com Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição sob investigação, como “praticamente zero”. O senador reportou apenas dois encontros com Vorcaro: uma ocasião quando este ingressou como sócio de Augusto Lima para aquisição da empresa CredCesta, e outra quando Lima solicitou indicação profissional na área jurídica, momento em que Wagner teria sugerido o ministro Lewandowski.

Essa minimização das conexões pessoais integra a estratégia de distanciamento de qualquer envolvimento nas atividades objeto da investigação. O parlamentar procurou estabelecer distinção clara entre relações ocasionais e participação em operações comerciais ou financeiras ilícitas.

Detalhes da operação realizada

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados a Wagner. Uma quantidade substancial de recursos foi localizada em quarto de hotel na capital federal, estabelecimento onde o senador hospeda-se regularmente durante permanência em Brasília. Adicionalmente, operações ocorreram em apartamento do parlamentar situado em Salvador, na Bahia.

A investigação também aborda questão relacionada a possível transferência de propriedade imobiliária. Segundo documentos da operação, a família de Wagner teria recebido apartamento avaliado em valor superior a R$ 2 milhões, supostamente procedente de Vorcaro. Este aspecto permanece sob análise das autoridades responsáveis.

Posicionamento em relação às acusações

O senador colocou-se à disposição das instituições investigativas para prestação de esclarecimentos sobre pontos levantados. Wagner enfatizou que sua condição jurídica não implica condenação ou formalização de acusação: “Não sou réu, não sou culpado, não sou nada”. Essa afirmação busca ressaltar presunção de inocência enquanto as apurações prosseguem em fase investigativa.

O parlamentar reafirmou categoria de colaborador com investigações, não como suspeito já comprovado. Sua estratégia comunicativa privilegia transparência quanto ao patrimônio localizado, simultaneamente negando qualquer origem ilícita dos valores encontrados. A defesa fundamenta-se na tese de origem lícita dos recursos através de receitas oficiais e operações cambiais regulares, não em transferências clandestinas de terceiros interessados em benefícios políticos ou legislativos.

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