PCDF aguarda autorização de Moraes para ouvir ex-presidente em inquérito sobre pistola encontrada durante blitz no DF

Polícia Civil do Distrito Federal solicita aprovação ao Supremo para interrogar ex-presidente sobre pistola apreendida em operação da Polícia Militar.
A Polícia Civil do Distrito Federal aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para realizar interrogatório com o ex-presidente Jair Bolsonaro acerca de uma pistola apreendida durante operação de fiscalização no Distrito Federal em junho de 2026.
Petição formal encaminhada ao tribunal superior
O ofício enviado no dia 18 de junho solicitava autorização expressa para intimação do ex-chefe de Executivo a comparecer por videoconferência na data de 24 de junho, às 15 horas. Conforme registrado pela corporação policial, uma tentativa anterior de entrega de mandado presencial não foi concluída, pois membros da comitiva de segurança interromperam o procedimento.
O inquérito apura as circunstâncias envolvendo o achado de uma arma de fogo registrada no nome do ex-presidente. A Polícia Militar do Distrito Federal localizou a pistola Glock, calibre 9 milímetros, com um ex-integrante do Gabinete de Segurança Institucional durante blitz realizada nas ruas da capital federal.
Defesa confirma propriedade e apresenta justificativa
Em comunicado dirigido ao ministro na quarta-feira (17), a equipe jurídica do ex-presidente reconheceu que o armamento em questão lhe pertence. Segundo a tese defensiva, colaboradores da segurança pessoal extraíram o percussor — componente fundamental para funcionamento da arma — sem aviso prévio ao cliente. A justificativa apoia-se na preocupação com possíveis acidentes, considerando que o ex-presidente faz uso regular de medicação psiquiátrica que poderia comprometer sua cognição.
Este detalhe técnico situa-se no centro da disputa legal, já que a retirada de peça essencial da arma interfere na caracterização típica de delitos relacionados a porte irregular de armamento.
Receios no núcleo próximo ao ex-chefe de Estado
Integrantes do círculo político do ex-presidente expressam apreensão quanto à possibilidade de revogação da prisão domiciliar humanitária temporária concedida em março do ano em curso. O posicionamento dominante no grupo sugere que decisões recentes do tribunal supremo têm desfavorecido sistematicamente o político, aumentando a tensão interna.
Reservadamente, membros do entorno afirmam que “tudo pode acontecer” em face deste novo episódio envolvendo armamento. Mencionam exemplos de deliberações pretéritas da corte durante as investigações e julgamentos relacionados a Bolsonaro. Alguns aliados amplificaram críticas ao funcionamento da instituição, argumentando que o Brasil experimenta um regime de exceção e que o magistrado atua como agente político.
Prazo crítico para reavaliação da medida humanitária
O período de 90 dias concedido para reavaliar a prisão domiciliar expira em 25 de junho, apenas um dia após a data prevista para o depoimento. A coincidência temporal intensifica a especulação sobre possíveis impactos na situação processual do ex-mandatário.
Defensores do ex-presidente sustentam que, independentemente da apreensão recente, não existe fundamentação legal ou fática que justifique alteração da decisão que o mantém em domicílio. A argumentação enfatiza que o cumprimento da medida teve origem em justificativas sanitárias, não em questões de ordem pública ou risco processual.
Contexto jurídico e político em evolução
O panorama jurídico em torno da figura do ex-presidente continua em transformação, com múltiplas investigações em andamento e posições divergentes entre órgãos do sistema de justiça. A apreensão da arma introduz variável adicional em disputa que já envolve diversos aspectos de sua vida pessoal, familiar e política.
A resposta do tribunal supremo ao pedido de autorização para depoimento será indicador relevante da direção que as investigações tomarão nos próximos dias.





