Brasil alcança marca histórica com analfabetismo abaixo de 5%

(Geovana Albuquerque/Agência Brasília)

Primeira vez na história que taxa fica abaixo deste patamar, mas desigualdades regionais e raciais persistem

Brasil alcança marca histórica com analfabetismo abaixo de 5%
Redução do analfabetismo é avanço significativo, mas metas não foram completamente atingidas. Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília — Foto: (Geovana Albuquerque/Agência Brasília)

Brasil reduz analfabetismo para 4,9% da população com 15 anos ou mais, marca inédita. Porém, desigualdades entre regiões e raças ainda são profundas.

O analfabetismo no Brasil atingiu sua menor taxa na história: 4,9% da população com 15 anos ou mais em 2025. O feito representa um importante avanço educacional do país após nove anos de redução contínua, porém ainda deixa margem para políticas públicas mais robustas nas próximas décadas.

Queda significativa desde 2016

Em 2016, primeiro ano de medição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua focada em educação, a taxa era de 10,6%. A trajetória de queda documenta um processo gradual de universalização do acesso à alfabetização entre novas gerações. Hoje, aproximadamente 8,4 milhões de brasileiros ainda não possuem competências básicas de leitura e escrita.

O avanço reflete maior acesso das crianças e adolescentes à educação formal durante a infância. Técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a diferença radical entre gerações evidencia tanto o progresso educacional quanto a ausência histórica de programas consistentes de alfabetização para adultos e idosos.

Meta Nacional Não Foi Alcançada

Embora os números sejam animadores, o país não cumpriu a meta prevista no Plano Nacional de Educação, que estabelecia a erradicação completa do analfabetismo até 2024. Essa lacuna sugere que políticas públicas ainda carecem de fortalecimento e continuidade em modalidades específicas de ensino.

A concentração de analfabetos em faixas etárias mais avançadas reforça essa conclusão. Aproximadamente 58% dos analfabetos brasileiros possuem 60 anos ou mais. Se desconsiderado esse grupo etário, a taxa cai significativamente para 2,6% entre pessoas de 15 a 59 anos, revelando que o desafio atual está na população mais velha.

Desigualdades Raciais e Regionais Profundas

A análise por cor ou raça expõe as estruturas históricas de exclusão educacional que ainda marcam o país. Entre a população branca, o analfabetismo atinge 2,8%. Entre pretos e pardos, o índice sobe para 6,5%, mais do que o dobro.

A disparidade se intensifica significativamente na terceira idade. Negros com 60 anos ou mais apresentam taxa de 20,6%, enquanto brancos na mesma faixa etária registram 7,3%. Essa diferença brutal reflete décadas de exclusão educacional que não puderam ser reversíveis completamente em curto período.

As regiões do país revelam cenário igualmente heterogêneo. O Nordeste lidera com 10,6% de analfabetos, seguido pelo Norte com 5,7%. Em contraste, o Sul registra 2,7% e o Sudeste 2,8%. O Centro-Oeste fica em posição intermediária com 3,3%. Essa distribuição geográfica evidencia que investimentos em educação não foram equitativos nas últimas décadas.

Caminhos para Políticas Futuras

Os dados sugerem que o próximo desafio educacional brasileiro não está em crianças e adolescentes, mas em políticas direcionadas a adultos e idosos de baixa renda, particularmente nas regiões menos desenvolvidas e entre populações negras. A tendência de queda sustentada oferece esperança, mas exige intensificação de esforços públicos para segmentos populacionais historicamente marginalizados do sistema educacional.

A redução de 10,6% para 4,9% em nove anos demonstra que investimento em educação produz resultados mensuráveis. Contudo, a persistência de profundas desigualdades indica que tal progresso não foi distribuído uniformemente pela população brasileira, replicando estruturas socioeconômicas antigas que continuam a caracterizar o país.

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