Economista-chefe da Franklin Templeton alerta que país segue sem pressão para corrigir rumos da política fiscal

Especialista compara situação econômica brasileira a sapo em água aquecida, alertando para ciclo de voo de galinha sem ajustes estruturais
Brasil flerta novamente com voo de galinha, alerta economista
O Brasil enfrenta novo risco de retorno ao padrão de crescimento volátil conhecido como voo de galinha, segundo análise de especialista do segmento de gestão de ativos. A metáfora do sapo em água aquecida resume o cenário: ajustes imperceptíveis que levam a consequências estruturais sem despertar consciência coletiva de urgência.
Deterioração fiscal sem resposta política
Os indicadores fiscais mostram sinais de deterioração. Apesar disso, não há mobilização política articulada para reverter essa trajetória. A ausência de pressão por mudanças na condução da política econômica cria ambiente de complacência institucional, segundo avaliação de economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton.
Esta dinâmica histórica marca a economia brasileira: períodos de descontrole fiscal seguidos de ajustes tardios e disruptivos. A diferença atual reside na falta de mecanismos que sinalizem urgência antes do ponto crítico.
O custo da indefinição
Quando mercados e formuladores de política não sentem pressão imediata, postergam decisões estruturais. Investimentos em infraestrutura, reforma tributária e revisão de gastos obrigatórios perdem prioridade. O resultado é crescimento intermitente, sem ganhos de produtividade sustentáveis.
A Franklin Templeton, gestora com bilhões em ativos globais, acompanha essas dinâmicas como fator de risco para alocações em renda fixa e variável brasileira. Economistas da instituição monitoram sinais de reversão de consenso político.
Pressão futura ou continuidade?
Analistas divergem sobre quando pressão externa—inflação, depreciação cambial ou reversão de fluxos de capital—forçará ação governamental. Até lá, o país segue em transição, entre crítica técnica e aceitação política.
A analogia do sapo em água quente persiste porque reflete uma realidade: mudança gradual sem alarme imediato. No Brasil, essa dinâmica já produziu ciclos de boom-e-bust recorrentes. Evitá-la requer reconhecimento precoce de sinais de deterioração fiscal e vontade política para agir antes da crise forçar a mão.





