A expansão das igrejas evangélicas brasileiras impulsionada pela imigração latino-americana traz acolhimento e também relatos de discriminação em Madri e Barcelona
O crescimento evangélico na Espanha, especialmente em Madri e Barcelona, impulsionado pela imigração latino-americana, enfrenta preconceitos e desafios sociais.
Panorama do crescimento evangélico na Espanha e os desafios sociais
O crescimento evangélico na Espanha tem se acelerado nos últimos anos, especialmente nas cidades de Madri e Barcelona, impulsionado pela imigração latino-americana. Dados do Observatório de Pluralismo Religioso indicam que a capital espanhola abriga atualmente 1.187 templos evangélicos, com uma média de uma nova igreja aberta a cada quatro dias. Este movimento reflete o aumento significativo da população evangélica, que passou de 0,2% em 1998 para 2% em 2018, totalizando cerca de 1,5 milhão de frequentadores no país.
A presença dessas igrejas brasileiras funciona como um ponto de acolhimento para os imigrantes, oferecendo suporte espiritual e social. No bairro de San Blas, em Madri, por exemplo, a Igreja Pentecostal Deus é Amor reúne fiéis de diferentes nacionalidades. O pastor Gilberto Miranda de Moraes, líder dessa congregação, destaca que os cultos são realizados em português e espanhol, abordando temas que vão desde a fé até questões familiares e financeiras.
A influência da imigração latino-americana no fortalecimento das igrejas evangélicas
A imigração latino-americana exerce papel central no crescimento evangélico na Espanha. Estima-se que o país abriga cerca de 4 milhões de latino-americanos, muitos deles buscando proximidade cultural e comunitária para facilitar a adaptação. O professor Chema Alejos relaciona diretamente esse aumento à busca por redes de apoio proporcionadas pelas igrejas evangélicas, que atuam como espaços de convivência e solidariedade para migrantes, incluindo aqueles em situação irregular.
Essas comunidades religiosas oferecem não apenas um lugar de culto, mas também uma rede de proteção e suporte em meio a dificuldades sociais e econômicas, o que explica o crescimento contínuo dos templos evangélicos e o aumento da adesão entre os migrantes.
Episódios de preconceito e discriminação enfrentados por evangélicos imigrantes
Apesar do crescimento expressivo, integrantes das igrejas evangélicas brasileiras e latino-americanas relatam situações de preconceito e discriminação na Espanha. A pregadora dominicana Josefa Nava, por exemplo, já foi multada por evangelizar em locais públicos, enquanto o brasileiro Marcelo de Moura enfrentou rejeição no ambiente profissional após sua conversão religiosa.
O pastor Gilberto Miranda atribui parte dessas dificuldades à percepção negativa direcionada aos imigrantes latino-americanos na sociedade espanhola. Além disso, organizações como a liderada por Kenny Clewett apontam que grupos religiosos formados por migrantes e comunidades historicamente marginalizadas encontram dificuldades na representação social e institucional, dificultando sua plena integração e aceitação.
Impacto histórico do protestantismo e liberdade religiosa na Espanha contemporânea
O contexto histórico da Espanha, com forte tradição católica, influencia a dinâmica atual do protestantismo no país. Durante o regime de Francisco Franco, por exemplo, houve perseguições e restrições à prática protestante. A liberalização e ampliação da liberdade religiosa ocorreram apenas com a redemocratização, o que ainda deixa resquícios nas percepções sociais.
Esse passado contribui para os desafios enfrentados hoje pelas igrejas evangélicas, que, apesar de sua expansão, ainda convivem com estigmas e preconceitos enraizados em séculos de predominância católica e resistências culturais.
O papel das igrejas evangélicas como suporte para imigrantes e redes comunitárias
As igrejas evangélicas brasileiras na Espanha desempenham um papel fundamental como redes de apoio para imigrantes latino-americanos. Relatos como o da paraguaia “irmã Clara” evidenciam como esses templos funcionam como uma grande família, oferecendo acolhimento, suporte emocional e espiritual em um país estrangeiro.
Além dos cultos, essas comunidades promovem solidariedade para enfrentar dificuldades financeiras, problemas de saúde e questões familiares, fortalecendo laços entre os membros e contribuindo para a construção de uma identidade comunitária sólida em meio a desafios migratórios e sociais.





