Ministro do STF desembarcou de jatinho ligado a banqueiro e discordou da fala do colega sobre ativismo judicial

Moraes discordou de Mendonça durante painel no Fórum LIDE. Voo partiu de São Paulo em jatinho envolvido em pagamento de honorários do escritório da esposa do ministro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desembarcou de um jatinho no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 2025 e participou horas depois do 24º Fórum Empresarial LIDE, no Hotel Fairmont, na capital fluminense.
A aeronave Legacy 650 PP-NLR decolou do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo às 13h e pousou por volta das 14h no Aeroporto Santos Dumont. O painel de Moraes teve início por volta das 17h15.
Naquela mesma manhã, às 9h, seu colega André Mendonça havia discursado defendendo a autocontenção no Poder Judiciário. “O Judiciário não pode ser o fator de inovação e criação legislativa. O Estado de Direito impõe a autocontenção, que se contrapõe ao ativismo judicial. O ativismo judicial implica no reconhecimento implícito de que o Judiciário tem a prevalência sobre os demais Poderes. O ativismo implica na superação da vontade democrática, cujo consenso legítimo pode ser decidir, mas também pode ser não decidir”, afirmou Mendonça.
Em sua fala, Moraes discordou da posição do colega. “Sobre o falso lema de que ‘ah, eles precisam se auto conter porque eles estão barrando o ataque à democracia. Estão barrando tudo que eu quero fazer’. Isso é coisa de autocrata. Isso é coisa de ditador. Esse método não funcionou. Não vai funcionar. E aqueles que tentarem no Brasil, serão responsabilizados. Não se pode atentar contra a democracia e, se der certo, é uma ditadura. Se não der certo, desculpa”, argumentou.
O desembarque foi descoberto pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e divulgado em reportagem no domingo (20). A aeronave aparecia em relatório da Polícia Federal tornado público em 1º de setembro por Mendonça, sobre relações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento do sigilo marcou o início da crise no STF.
O jatinho integrava estrutura criada para pagamento de honorários do escritório Barci de Moraes, gerenciado pela esposa do ministro, a advogada Viviane Barci. Um Termo de Acordo e Dação em Pagamento localizado pela PF previa quitar R$ 40 milhões de um contrato de R$ 50 milhões mediante transferência de ações de duas empresas, incluindo a F24, proprietária da aeronave.



