Presidente brasileiro critica hegemonia americana e divisão do mundo em zonas de influência, enquanto Trump defende operação na Venezuela

Na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, Lula critica hegemonia americana enquanto Trump defende atuação dos EUA na região
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump proferiram discursos com posicionamentos antagônicos na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22).
Lula usou boa parte de seu tempo na tribuna para enviar críticas duras às políticas do governo norte-americano, especialmente sobre conflitos internacionais e a relação de Washington com a América Latina. Trump, por sua vez, fez um discurso centrado nos Estados Unidos, afirmando a liderança americana no planeta.
Os dois presidentes direcionaram suas mensagens também para eleitores domésticos. Lula enfrenta eleições no Brasil em 4 de outubro, enquanto o Partido Republicano de Trump se prepara para as eleições legislativas em novembro, conhecidas como Midterms.
Lula fez uma forte defesa da soberania do Brasil e da América Latina, criticando a ideia norte-americana de exercer hegemonia no continente.
“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse o presidente brasileiro, segundo registros do discurso.
Na sequência, Lula criticou “a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos”.
Trump adotou posição oposta. Defendeu a operação militar na Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro, celebrou novo acordo para controlar o petróleo do país e defendeu o uso de mais força contra o crime organizado na região. Cobrou também do México que “retome o controle de seu território dos inimigos da humanidade” e sugeriu possibilidade de intervenção em Cuba.
Sem citar os Estados Unidos nominalmente, Lula cobrou que os países da América Latina precisam “de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento”.
Na pauta digital, Lula pediu regulação e criticou abertamente as grandes empresas de tecnologia americanas. “Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência”, afirmou, segundo seu discurso na assembleia.





