Economistas divergem sobre próximos cortes da Selic após ata do Copom

Banco Central sinaliza desaceleração econômica e crédito mais lento, mas eleições e riscos globais deixam mercado incerto

Economistas divergem sobre próximos cortes da Selic após ata do Copom
Ata do Copom mostra preocupação com desaceleração da economia. Foto: Élida Oliveira

Análise da ata do Copom divulgada nesta terça-feira (22) aponta desaceleração econômica, mas economistas têm interpretações mistas sobre próximos cortes da taxa Selic

A ata do Banco Central divulgada nesta terça-feira (22) mostra sinais de desaceleração da atividade econômica e perda de ritmo no crédito livre, fatores que reforçam argumentos para continuidade nos cortes da taxa Selic, atualmente em 13,75%. Porém, a instabilidade nos preços do petróleo, os impactos climáticos do El Niño e as eleições presidenciais trazem incertezas relevantes que afetam as apostas do mercado.

Os economistas apresentam interpretações divergentes sobre a condução dos juros. Enquanto parte deles aponta para mais cortes na Selic, outra parcela vê possibilidade de pausa na política monetária. O Itaú avalia que “o documento mantém em aberto a discussão sobre os próximos passos da política monetária e não oferece sinais mais claros sobre a trajetória futura da taxa de juros”.

Para o Goldman Sachs, a próxima reunião do Copom em novembro deve trazer outro corte na Selic, mas há pouco espaço para continuidade à frente. “A próxima reunião do Copom ocorrerá após a eleição presidencial: o contexto externo e a reação do mercado ao resultado da eleição serão fatores-chave para as próximas decisões de política monetária”, afirma a instituição em relatório.

O Banco Central demonstrou maior convicção na desaceleração da economia, com ênfase na perda de dinamismo dos setores mais cíclicos e no arrefecimento das modalidades de crédito livre com prazos mais longos. A ata incluiu pontos de atenção inéditos ao citar o mercado de crédito, destacando o comportamento expansivo dos recursos direcionados.

Caio Megale, economista-chefe da XP, avalia que a trajetória dos indicadores “caminha de forma clara na direção desejada pelo Comitê”. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, nota que “o crédito direcionado continua sendo um contrapeso expansionista, o que é coerente com a preocupação recorrente do Comitê sobre o impulso fiscal do governo”.

A próxima decisão sobre a Selic será tomada pelo Copom em novembro, após a realização das eleições presidenciais, quando o contexto externo e a reação do mercado ao resultado eleitoral serão determinantes para a definição da trajetória dos juros.

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