Estudo do ECLJ aponta discriminação contra cristãos enquanto número de padres caiu de 65 mil para 12 mil desde 1960

Estudo do Centro Europeu de Direito e Justiça afirma que França, outrora bastião do catolicismo europeu, vivencia colapso da religião com discriminação contra cristãos.
O Centro Europeu de Direito e Justiça (ECLJ) divulgou estudo alertando que o catolicismo na França entrou em colapso, com a população cristã enfrentando discriminação sistemática no país que historicamente foi chamado de “filha primogênita da Igreja”.
O relatório, intitulado “O Sofrimento e a Esperança da Igreja na França”, foi lançado enquanto o Papa Leão XIV se prepara para sua primeira visita ao país em quase duas décadas. Segundo Gregor Puppinck, diretor do ECLJ, a viagem papal gerou reações contraditórias: centenas de milhares se inscreveram para participar dos eventos, enquanto outros na França se opuseram, citando a tradição laica do país e o custo financeiro da iniciativa.
“A tensão persistente em relação ao cristianismo na França” é o que caracteriza essa polarização, afirmou Puppinck.
O estudo aponta que “o catolicismo na França entrou em colapso” e que o povo francês está “cada vez mais desanimado” e “mergulhando no desespero”. O documento examina “as pressões ideológicas, as injustiças e as formas ‘legais’ de discriminação vivenciadas pela Igreja e pelos cristãos na França”.
Segundo o relatório, presépios de Natal foram removidos das prefeituras após decisões judiciais, enquanto cruzes e calvários à beira da estrada foram desmontados por ordens administrativas. O estudo também registra apelos para abolição de feriados cristãos e processos de dissolução contra associações católicas.
Os números refletem o declínio: embora 46% da população francesa se identifique como católica, apenas 40% realmente acreditam em Deus. O número de padres católicos caiu de 65 mil em 1960 para apenas 12 mil em 2023. As taxas de casamento caíram quase pela metade no mesmo período, enquanto divórcios e abortos aumentaram drasticamente.
Apesar do cenário desfavorável, o ECLJ identificou “sinais de esperança”. Neste ano, 21 mil catecúmenos foram batizados na Páscoa, recorde em 20 anos. Simultaneamente, 60% dos jovens de 18 a 24 anos relataram ter opinião favorável da Igreja Católica.
Puppinck comentou: “Enquanto a sociedade desmorona diante de nossos olhos e a França declina ainda mais a cada ano que passa, a Igreja está, milagrosamente, recuperando uma nova vitalidade em meio às ruínas. Não são essas ruínas que atraem os milhares de jovens que se convertem, mas sim o desejo de restaurar todas as coisas em Cristo.”


