Banco Central vê estabilidade inflacionária após choque do petróleo

Autoridade monetária não identifica propagação de preços em segmentos pouco expostos ao aumento do barril

Banco Central vê estabilidade inflacionária após choque do petróleo
Choque de preços do petróleo em análise do BC. Foto: Roberto de Lira

Banco Central não observa sinais de propagação inflacionária relevante do choque recente nos preços do petróleo e derivados

O Banco Central concluiu que não há, até este momento, evidências de que o recente choque nos preços do petróleo e derivados gere propagação inflacionária relevante através de efeitos de segunda ordem na economia brasileira. A avaliação consta em análise especial divulgada nesta quinta-feira (24) no Relatório de Política Monetária referente ao segundo trimestre de 2026.

Os efeitos de segunda ordem são impactos decorrentes dos efeitos primários que afetam a formação de preços e salários. Na formação de preços, manifestam-se principalmente quando empresas elevam seus preços em proporção superior aos aumentos de custos direta e indiretamente associados ao choque. Isso ocorre quando as empresas antecipam aumentos futuros de custos e decidem reajustar seus preços antes mesmo que tais aumentos se concretizem.

“Esse aumento da inflação decorrente dos efeitos primários pode induzir reajustes salariais maiores, na tentativa de recompor perdas observadas ou mesmo esperadas de salário real. E esses reajustes, por sua vez, também podem dar origem a efeitos de segunda ordem caso sejam posteriormente repassados aos preços.”

Dessa forma, as pressões inflacionárias tornam-se mais disseminadas e persistentes, o que faz com que os efeitos de segunda ordem sejam usualmente objeto de resposta por parte das autoridades monetárias. Na avaliação do BC, embora admita que os efeitos de segunda ordem podem levar algum tempo para se materializarem, não se observam no momento sinais de aumento da inflação em segmentos presumidamente pouco expostos ao aumento dos preços de petróleo e derivados.

No canal de formação de salários, diferentes medidas da dinâmica salarial tampouco apontam para aceleração disseminada após o início do conflito no Oriente Médio. O relatório lembra que o preço do petróleo oscilou consideravelmente ao longo do segundo trimestre, assim como sua trajetória prospectiva.

No cenário de referência da instituição, a inflação em 12 meses fecha o terceiro trimestre de 2026 em 4,4% e encerra o ano em 5,2%. O BC reduziu sua projeção de alta do PIB em 2026 para 1,8%, com perspectiva de expansão de 1,4% em 2027.

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