Negociações entre EUA e Irã sobre Estreito de Ormuz fracassaram, levando petróleo Brent a dispara a US$ 105,28 por barril.

Assembleia Geral da ONU e Semana do Clima convergem para o mesmo desafio: garantir energia, alimentos e segurança em cenário de guerra.
A Assembleia Geral da ONU e a Semana do Clima ocorrem simultaneamente em Nova York com objetivos diferentes, mas convergiram em um ponto: como assegurar energia, alimentos e segurança física em um cenário de guerra, cadeias produtivas frágeis e demanda crescente por eletricidade.
A insegurança alimentar depende do preço da energia, do acesso a fertilizantes e da estabilidade das safras. A insegurança energética, por sua vez, depende de redes elétricas, tecnologia e rotas comerciais. Sem estabilidade climática, com secas, enchentes e calor extremo interrompendo produção e infraestrutura, nenhuma das duas estará garantida.
Negociações entre Estados Unidos e Irã visavam reabrir o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde aproximadamente um quinto da oferta mundial de petróleo passava antes da guerra. A proposta apresentada, porém, foi rejeitada pelo presidente americano.
A rejeição fez o petróleo Brent disparar na abertura desta segunda-feira (28). Posteriormente, ganhos foram moderados com notícias de maior fluxo de petróleo pelo Oriente Médio. O contrato de novembro fechou a US$ 105,28 por barril, alta de 0,92%.
A oscilação demonstra como a incerteza diplomática se transmite imediatamente ao custo da energia e às expectativas de inflação. As bolsas de Nova York terminaram a sessão em queda, enquanto o dólar se fortaleceu no exterior, refletindo a combinação de tensão geopolítica, petróleo elevado e juros altos.
No Brasil, o dólar à vista fechou a R$ 5,225, alta de 0,85%. O Ibovespa recuou em um pregão volátil, reagindo não apenas ao impasse em Ormuz, mas também a pesquisas eleitorais e expectativas para inflação e juros.
Para empresas e famílias, a combinação resulta em câmbio e capital mais caros, além de pressão sobre fretes, combustíveis e insumos. A Organização Mundial do Comércio acompanha medidas adotadas desde fevereiro que afetam energia, fertilizantes e alimentos em resposta à situação geopolítica. A diretora-geral Ngozi Okonkjo-Iweala defende cadeias mais diversificadas, comércio aberto e coordenação internacional como mecanismos para reduzir dependência de rotas vulneráveis.


