Campanha de Flávio aposta em antipetismo para superar Lula no primeiro turno

Estratégia bolsonarista analisa histórico de eleições anteriores onde candidatos da oposição superaram pesquisas em primeiro turno.

Campanha de Flávio aposta em antipetismo para superar Lula no primeiro turno
Flávio Bolsonaro (PL), em primeira propaganda eleitoral na televisão. Foto: Reprodução — Foto: Flávio Bolsonaro (PL), em primeira propaganda eleitoral na televisão  • Reprodução

A campanha de Flávio Bolsonaro aposta no antipetismo para tentar superar o presidente Lula nas urnas no próximo domingo, analisando histórico de eleições anteriores.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) aposta no chamado “antipetismo de chegada” para tentar sair à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas no próximo domingo (4). Apesar de as pesquisas mais recentes apontarem empate técnico ou Lula em vantagem nas intenções de voto, integrantes do time bolsonarista avaliam que o histórico de eleições anteriores permite apostar em uma vantagem efetiva nas urnas.

A estratégia se baseia no cálculo de que, na hora de votar, parte dos eleitores dá mais peso à rejeição ao petista do que à preferência pelo candidato que considera ideal. Por isso, Flávio faz uma ofensiva visando eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Desde 2002, o principal adversário do PT nas eleições presidenciais terminou o primeiro turno com um percentual de votos válidos superior ao indicado no último Datafolha antes da votação. Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, José Serra (PSDB) tinha 21% dos votos válidos no levantamento e recebeu 23,20% nas urnas. Em 2006, Geraldo Alckmin (PSDB), hoje vice de Lula, aparecia com 38% e obteve 41,64%.

Em 2010, quando Dilma Rousseff se elegeu, Serra registrava 31% na pesquisa e terminou com 32,61%. As diferenças foram maiores nas três eleições seguintes. Em 2014, Aécio Neves (PSDB) tinha 26% no último Datafolha e recebeu 33,55% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2018, quando foi eleito, Jair Bolsonaro (PSL) aparecia com 40% no levantamento e alcançou 46,03% nas urnas.

Em 2022, Bolsonaro, então no PL, registrava 36% na pesquisa e terminou o primeiro turno com 43,20%. A derrota para Lula no segundo turno foi por uma diferença de 1,8 ponto percentual, pouco mais de 2 milhões de votos, na eleição presidencial mais apertada desde a redemocratização.

Na leitura da campanha, esse retrospecto reforça a aposta no voto útil. A expectativa é de que eleitores de direita que hoje preferem outros candidatos concentrem o voto em Flávio na reta final, movidos pela rejeição a Lula e pelo argumento de que o senador é o nome com condições de impedir um novo mandato do presidente. Aliados apostam que essa migração possa levar o candidato do PL a terminar o primeiro turno à frente de Lula, ainda que por uma diferença muito pequena.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na terça-feira (29) aponta Lula com 45,3% das intenções de voto e Flávio com 42,2% no primeiro turno.

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