Expectativa de lucros em IA compensa alta de juros nas bolsas americanas

S&P 500, Nasdaq e Dow resistem ao rendimento do Treasury de dez anos acima de 5% com revisão otimista de resultados

Expectativa de lucros em IA compensa alta de juros nas bolsas americanas
Inteligência artificial é apontada como força por trás do desempenho das ações. Ilustração gerada por IA — Foto:   • Ilustração gerada por IA

Bolsas americanas avançam apesar de rendimento do Treasury em nível máximo desde 2007, sustentadas por otimismo com lucros em empresas de IA

As bolsas americanas conseguem resistir à alta dos juros americanos de longo prazo com base no otimismo com lucros de empresas de inteligência artificial, mesmo diante de um custo de capital maior. Entre 21 e 25 de setembro, o Nasdaq Composite avançou 2,1%, o S&P 500 subiu 1,2% e o Dow Jones ganhou 0,3%, apesar do rendimento do Treasury de dez anos ter batido o patamar mais alto desde 2007.

Na segunda-feira (28), quando o rendimento do título de dez anos alcançou 5,241% no fechamento, o S&P 500 caiu 0,77%, o Nasdaq recuou 0,92% e o Dow perdeu 0,67%. O movimento aparenta contradição: aumentos de juros reduzem o valor atribuído aos lucros futuros das empresas.

Segundo João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria, as expectativas de crescimento dos lucros das companhias melhoraram principalmente entre as big techs de inteligência artificial, compensando o efeito dos juros. “Por mais que o investimento esteja muito alto e o fluxo de caixa das empresas não esteja tão forte, o lucro tem surpreendendo para cima”, afirma.

Arthur explica que a inteligência artificial tem levado à revisão das projeções de resultados, sustentando as ações diante de custo de capital maior. Contudo, aponta que a velocidade da alta dos juros e a capacidade das empresas de continuar surpreendendo nos balanços determinam o rumo das ações muito mais do que um patamar específico de yield dos Treasuries.

“Se os juros continuarem subindo e o lucro ficar estável, sem surpresa positiva, é natural que esse mercado comece a cair”, diz.

Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, também aponta a inteligência artificial como força por trás do desempenho das ações americanas. Ele ressalta, porém, que pode haver otimismo excessivo sobre o retorno dos investimentos feitos hoje pelo setor de IA.

Kautz avalia que a alta dos juros de prazos longos ocorre em diferentes países e reflete riscos geopolíticos e fiscais. Por isso, o rendimento do Treasury de dez anos acima de 5% merece atenção, mas precisa ser analisado em conjunto com outros fatores econômicos globais.

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