Mendonça muda voto no TSE para preservar post de Tabet sobre Bolsonaro

Ministro ajustou posição na noite desta quarta para tentar formar maioria no tribunal em caso sobre fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida

Mendonça muda voto no TSE para preservar post de Tabet sobre Bolsonaro
Ministro André Mendonça, do TSE. Foto: Vox Radar — Foto: Vox Radar: entre perfis sem lado, 57% tratam boato como verdade

O ministro André Mendonça ajustou seu voto para manter a publicação do humorista Antonio Tabet protegida pela liberdade de expressão, mesmo reconhecendo fake news contra Flávio Bolsonaro

O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ajustou na noite desta quarta-feira (30) o voto que havia dado mais cedo no julgamento de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A mudança representa tentativa de formar maioria a favor de sua tese no plenário.

Em complemento de voto apresentado às 20h, Mendonça passou a defender a preservação da publicação do humorista Antonio Tabet, cuja remoção ele havia solicitado no voto original. “O ajuste limita-se à publicação específica de Antonio Tabet. Diante da razoabilidade da compreensão de ambiguidade de seu conteúdo, entendo que a solução mais consentânea com os critérios de intervenção mínima e de proteção reforçada da liberdade de expressão consiste em preservar a postagem”, escreveu o ministro.

Tabet havia publicado: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”

Com a mudança, Mendonça busca consolidar entendimento de que houve fake news contra o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmando que ele pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira, mas de que o post do humorista está protegido pela liberdade de expressão por constituir crítica política.

O ajuste veio após o placar inicial ficar em 3 a 2. No voto original, Mendonça foi acompanhado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e pelo ministro Dias Toffoli. Os três entenderam que a inexistência de projeto, declaração ou ato do candidato que sustentasse a afirmação sobre retirada do título permite distinguir crítica política baseada em informação factual falsa daquela fundamentada em opinião, sátira e manifestação política.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva abriu divergência parcial ao reconhecer fake news, mas defender proteção constitucional à publicação. Já o ministro Floriano de Azevedo Marques divergiu integralmente do relator e votou contra remoção dos conteúdos. Pesava na estratégia de Mendonça a expectativa de que a ministra Estela Aranha acompanhasse Cueva, consolidando maioria pela preservação do post.

O TSE é instância responsável por julgar matérias relacionadas a eleições, campanhas e propaganda política. Casos envolvendo fake news e liberdade de expressão demandam análise do equilíbrio entre combate à desinformação e direitos constitucionais fundamentais.

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