Potências acompanham primeiro turno no domingo por segurança regional, geopolítica e acesso a recursos naturais como terras raras

China, Estados Unidos e Argentina monitoram eleição presidencial brasileira no próximo domingo por segurança regional e acesso a recursos naturais
China, Estados Unidos e Argentina monitoram de perto o primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, que ocorre no próximo domingo (4). O interesse dessas nações ultrapassa a balança comercial e envolve segurança regional, influência geopolítica e acesso a recursos naturais valiosos, como as reservas de terras raras, fundamentais para a tecnologia global e a transição energética.
Segundo especialistas, a parceria entre Brasil e China demonstra grande resistência e estabilidade, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto. Historicamente, o fluxo de exportações de soja, minério de ferro e petróleo não sofre interrupções significativas por divergências políticas. O capital chinês no Brasil possui perfil conservador e focado na preservação de ativos já instalados.
O objetivo central de Pequim é garantir previsibilidade nas regras do jogo e evitar que o governo brasileiro adote restrições tecnológicas desenhadas pelos americanos. Para Washington, o interesse atual é fortemente motivado pelas reservas brasileiras de terras raras, estimadas em 21 milhões de toneladas, minerais essenciais para a fabricação de componentes de alta tecnologia.
O Brasil ainda carece de infraestrutura para processamento e refino das terras raras. Os Estados Unidos buscam ampliar a cooperação em segurança por meio da Doutrina Donroe, que visa afastar influências externas consideradas hostis e fortalecer iniciativas contra o crime organizado, como o projeto Escudo das Américas, que o Brasil ainda reluta em aderir.
A Argentina vive relação de dependência econômica com o Brasil apesar dos frequentes atritos políticos entre Javier Milei e a atual gestão brasileira. Uma vitória da oposição no Brasil facilitaria a coordenação de políticas para tornar o Mercosul mais flexível e aberto a acordos bilaterais. Um governo brasileiro alinhado ao argentino poderia fortalecer as reivindicações de Buenos Aires pelas Ilhas Malvinas em fóruns internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e ajudar na coordenação de pressões sobre exploração de petróleo naquela região.



