Endividamento chegou a 82,9% do PIB em agosto, equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo Banco Central

Dívida bruta do governo federal avançou 4,2 pontos percentuais em relação ao PIB em apenas oito meses
A dívida bruta do governo brasileiro avançou 4,2 pontos percentuais em relação ao PIB em apenas oito meses, chegando a 82,9% do PIB em agosto, ou R$ 11,1 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30).
Isso equivale a quase R$ 83 em dívida para cada R$ 100 produzidos pelo país em um ano. A alta dessa proporção mostra que o endividamento cresceu mais rápido que o valor da produção brasileira.
Para quem governar a partir de 2027, a consequência é uma margem mais apertada para ampliar benefícios, reduzir impostos e investir. Adiar decisões pode tornar ainda mais difícil conciliar essas prioridades.
Em entrevista ao programa Morning Call do CNN Money nesta quarta, Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), apontou a transição como o momento de preparar medidas para enfrentar os problemas fiscais. Segundo ele, o vencedor e sua equipe precisarão organizar o “anúncio de um conjunto de medidas para colocar o trem nos trilhos”. Conter a dívida, dar mais flexibilidade ao Orçamento e recuperar investimentos estão entre os objetivos destacados pelo economista.
O governo precisa captar dinheiro para financiar suas necessidades e renovar dívidas que vencem. Se os investidores enxergam uma trajetória cada vez mais difícil de controlar, podem exigir juros maiores para emprestar. Essas taxas influenciam também o crédito das empresas e das famílias, o que dificulta o barateamento dos financiamentos.
O custo dos juros alimenta o próprio endividamento. Esse foi o principal fator de aumento da dívida bruta em agosto, mesmo com a melhora do resultado antes dos juros na comparação com agosto do ano passado.
Para Murilo Viana, sócio da Finance Consultoria e coordenador de estudos fiscais e tributários da GO Associados, o avanço acelerado exige medidas críveis para ajudar a reduzir os juros descontada a inflação. “Vai ser preciso repensar a dinâmica das despesas obrigatórias, determinadas por leis e regras”, afirmou o economista.



