TSE libera post de Tabet sobre Nossa Senhora após recuo de Mendonça

Ministro do STF mudou de voto e permitiu publicação que critica família sem citar Flávio Bolsonaro. Conteúdo foi censurado duas vezes antes.

TSE libera post de Tabet sobre Nossa Senhora após recuo de Mendonça
Imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Foto: Waack/TSE — Foto: Waack: TSE tenta reduzir interferência do STF na pauta

O TSE mantém liberada publicação do humorista Antonio Tabet que critica família miliciana sem citar Flávio Bolsonaro. Ministro André Mendonça recuou do voto.

O Tribunal Superior Eleitoral liberou, na noite de quarta-feira (30), postagem do humorista Antonio Tabet que critica uma família identificada como “miliciana” sem mencionar nomes diretos. A decisão veio após recuo do ministro relator André Mendonça, que havia votado pela remoção.

O julgamento no plenário virtual durou 14 horas. Mendonça afirmou inicialmente que as ordens de remoção de conteúdo “não constituem censura prévia”, nem violam liberdade religiosa. O voto foi acompanhado por Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.

Por volta das 20h30, Mendonça reconsiderou parte do voto. O ministro argumentou que, diante de “dúvida razoável” sobre o enquadramento da publicação como informação falsa, deve prevalecer a liberdade de expressão.

“A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”

Segundo Tabet, a publicação foi censurada duas vezes anteriormente. “É a terceira vez que este post vai para o ar. Na primeira vez, foi censurado quando tinha mais de 2 mil retweets. Depois, voltou e foi censurado mais uma vez com quase 30 mil retweets”, informou o humorista.

“Agora, se Deus e a democracia quiserem, ela nunca mais sai daí”, completou Tabet.

O TSE manteve, porém, a proibição a posts que associem o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diretamente à notícia falsa de que a Santa poderia perder o título de padroeira do Brasil. “O ajuste limita-se à publicação específica de Antonio Tabet. Diante da razoabilidade da compreensão de ambiguidade de seu conteúdo, entendo que a solução mais consentânea com os critérios de intervenção mínima e de proteção reforçada da liberdade de expressão consiste em preservar a postagem”, registrou Mendonça em seu voto.

A controvérsia começou quando supostas publicações associavam a família Bolsonaro a ataques à padroeira. O TSE ordenou remoção de conteúdo que vinculasse diretamente o candidato à desinformação sobre a mudança do título de Nossa Senhora Aparecida.

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