Integrantes do time petista calcularam risco de distorção de falas na reta final do primeiro turno eleitoral

Integrantes da campanha de Lula apontam temor de distorção de declarações em redes sociais como fator determinante para ausência em debate
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu faltar ao debate desta quinta-feira na TV Globo. Segundo integrantes da campanha petista, o temor de distorção de declarações em redes sociais foi determinante na decisão, para além de argumentos sobre formato, tempo de fala, regras e número de participantes.
O cálculo de risco feito pelo time petista concentrou-se no potencial de cortes de vídeos que pudessem neutralizar parte da retomada de Lula na reta final do primeiro turno. Embora uma ala da campanha defendesse que o presidente deveria comparecer ao confronto, um acontecimento ajudou a reverter essa percepção.
Nesta semana, Lula escorregou ao microfone ao falar sobre exames de toque. Embora o presidente se referisse a exames preventivos para homens e mulheres, a declaração foi distorcida e explorada por integrantes da direita nas redes sociais.
A avaliação de aliados é que o episódio prejudicou ao menos em parte a retomada pavimentada pela polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, considerada um dos mais recentes trunfos da campanha petista nesta etapa da eleição.
Segundo um membro da campanha, o raciocínio que levou à decisão foi o seguinte: “Lula tem pouca paciência diante do discurso de Flávio Bolsonaro e poderia se irritar com provocações do senador e de outros candidatos da direita. E, dado o aperto nas pesquisas de intenção de voto, uma expressão ou declaração fora do lugar já seria ruim. Pior do que o púlpito vazio no estúdio.”
O assessoramento mostrou preocupação com possíveis reações do presidente a ataques durante o debate, especialmente em ambiente que permitiria circulação massiva de trechos isolados nas plataformas digitais. Aliados temem que qualquer gafe pudesse ser amplificada antes que contexto ou resposta oficial chegasse ao público.



