Combustível acumula alta de 90% desde fevereiro e pressiona custos das companhias aéreas em R$ 7,6 bilhões

A Petrobras reajustou em 11,8% o preço do querosene de aviação nesta quinta-feira (1º). O combustível chegou a R$ 6,38 por litro nas refinarias.
A Petrobras anunciou reajuste médio de 11,8% no preço do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras nesta quinta-feira (1º). Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível chegou a R$ 6,38 por litro nas refinarias em outubro.
O QAV acumula alta de aproximadamente 90% desde fevereiro, passando de R$ 3,31 para R$ 6,28 por litro, de acordo com o preço de referência do setor. O período coincide com a escalada do conflito no Oriente Médio, que pressionou os preços internacionais do petróleo e seus derivados.
Em abril, o combustível havia alcançado patamar ainda mais elevado, próximo de R$ 10 por litro nas refinarias. A pressão diminuiu temporariamente no meio do ano, com alívio nas cotações em junho e julho. Porém, em agosto, a Petrobras já havia anunciado nova alta. O combustível acumula reajustes em seis dos dez primeiros meses de 2026, com exceção de janeiro, fevereiro, junho e julho.
O QAV representa um dos principais componentes dos custos operacionais das companhias aéreas. Atualmente corresponde a cerca de 46% das despesas, ante 33% antes da escalada dos preços, conforme a Abear.
Segundo a Abear, o setor gastou R$ 7,6 bilhões a mais com combustível em 2026 do que o projetado antes do conflito. Em junho, quando o QAV acumulava alta de 71% desde o início da guerra, a entidade calculava gasto adicional de R$ 3,8 bilhões em relação às estimativas anteriores.
A Petrobras afirma que os reajustes refletem as cotações internacionais do QAV e as tensões geopolíticas no Oriente Médio. A Abear alerta que a sequência de reajustes pode pressionar a conectividade aérea no país e dificultar a ampliação do acesso da população ao transporte aéreo.
O impacto também se estende aos consumidores. A tarifa aérea média no Brasil subiu 10,4% em agosto na comparação com julho, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O preço médio passou de R$ 703,47 para R$ 776,87 por trecho.



