Eduardo Bolsonaro disputa posto no Itamaraty com ala moderada de campanha de Flávio

Ex-deputado quer ser chanceler ou embaixador em Washington, mas enfrenta resistência de líderes do agronegócio

Eduardo Bolsonaro disputa posto no Itamaraty com ala moderada de campanha de Flávio
Eduardo Bolsonaro em arquivo de 14 de agosto de 2025. Foto: Reuters/Jessica Koscielniak — Foto: Eduardo Bolsonaro  • 14/08/2025REUTERS/Jessica Koscielniak

Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro quer ocupar cargo de chanceler ou embaixador em eventual governo de Flávio Bolsonaro, mas encontra resistência de lideranças do agronegócio.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro já disputa com a ala moderada da campanha do candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) um cargo de destaque no Itamaraty em eventual novo governo. Segundo interlocutores, Eduardo Bolsonaro já teria manifestado interesse em ser chanceler ou embaixador em Washington em um governo de Flávio Bolsonaro (PL).

A ala moderada da campanha, porém, rejeita a ideia. Lideranças preferem nomes como o do cientista político e diplomata Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS e ex-Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Brasil. Líderes do agronegócio também entendem que um profissional em relações internacionais é o caminho mais adequado para exercer a função.

No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o setor agrícola havia pressionado para a demissão do então chanceler Ernesto Araújo, por entender que suas posições prejudicavam o diálogo com a China, principal mercado das commodities agrícolas brasileiras.

Na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), há avaliação de que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de expedir mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro demarca limites do que seria aceitável para o magistrado caso o candidato vença o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alexandre de Moraes teria emitido sinais ao bolsonarismo desde domingo, a exemplo da progressão de pena da denominada “Débora do Batom”. A decisão contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, serve para sinalizar que haveria um limite até onde o eventual novo governo poderia avançar.

Por outro lado, a campanha entende que a decisão reforça a percepção de que o ministro Alexandre de Moraes persegue o bolsonarismo e o vincula ainda mais ao governo Lula, em estratégia que vem sendo explorada pela campanha e considerada bem-sucedida.

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