Na segunda-feira após eleições, bolsa brasileira registra maior alta diária desde março de 2020 e empresas ganham R$ 420 bilhões em valor de mercado

Ibovespa fecha em alta de 7,7% na primeira segunda-feira após primeiro turno das eleições presidenciais, atingindo 206.912 pontos.
Na segunda-feira (5), o primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais entrou para a história do mercado brasileiro. De acordo com a B3, o Ibovespa fechou em alta de 7,7%, aos 206.912 pontos, marcando o primeiro fechamento acima dos 200 mil pontos e a maior alta diária desde março de 2020. O dólar recuou mais de 4%, aproximando-se de R$ 5, e as taxas dos títulos prefixados caíram de níveis próximos a 14% para cerca de 13%. Apenas em valor de mercado, as empresas listadas ganharam mais de R$ 420 bilhões em um único dia.
O resultado eleitoral divergiu das expectativas das pesquisas e do posicionamento de parte do mercado, levando investidores que estavam em posição defensiva a reajustar suas carteiras. Segundo análise do JPMorgan publicada em outubro de 2026, o banco elevou a recomendação das ações brasileiras para “overweight” (acima da média do mercado), revertendo o rebaixamento feito em agosto.
O preço de uma ação não reflete apenas o que a empresa lucra hoje, mas a soma, trazida a valor presente, de tudo o que os investidores esperam que ela lucre nos próximos anos. O que move os preços é a distância entre o que se esperava e o que aconteceu.
O JPMorgan calcula que o índice era negociado a cerca de 8,9 vezes o lucro projetado na véspera do primeiro turno e enxerga espaço para algo próximo de 10,9 vezes. O lucro das empresas permanece o mesmo; o que muda é o preço que se paga por cada real desse lucro.
Segundo o analista Bernardo Pascowitch, os investidores reagem principalmente às perspectivas econômicas associadas às propostas dos candidatos, e não a uma preferência pessoal por candidato. A mudança reflete a revisão de expectativas sobre política fiscal e gestão econômica para os próximos anos.


