França enfrenta crise fiscal com dívida em 119% do PIB durante protestos

Manifestações contra cortes de gastos e pela educação revelam deterioração das contas públicas após política de endividamento na pandemia

França enfrenta crise fiscal com dívida em 119% do PIB durante protestos
Manifestantes protestam contra cortes de gastos na França

A dívida pública francesa atingiu 119% do PIB, maior desde 1946, resultado da política de endividamento durante a pandemia de Covid-19

A dívida pública da França atingiu 119% do Produto Interno Bruto em setembro de 2026, revelou o INSEE, instituto nacional de estatísticas do país. Segundo a instituição, o patamar representa a maior proporção desde 1946, no pós-Segunda Guerra Mundial, período de reconstrução após a Segunda Guerra.

Antes da pandemia de Covid-19, a dívida francesa equivalia a menos de 100% do PIB. O endividamento elevado foi adotado como estratégia de política econômica durante a emergência sanitária global, quando o governo de Emmanuel Macron implementou medidas para sustentar a economia diante das restrições de combate ao coronavírus. A estratégia recebeu o nome de “custe o que custar”.

Manifestações eclodiram na França nas últimas semanas, revelando uma crise mais profunda que as motivações iniciais dos protestos. Os atos começaram em setembro como manifestações em apoio a professores em greve de uma escola de Paris e ganharam corpo, resultando em confrontos com as forças de segurança, com vários feridos, presos e estabelecimentos de ensino suspendendo aulas. Os manifestantes pedem mais recursos para a educação em um momento de aperto fiscal.

O presidente Macron, no poder desde 2017, tenta agora promover cortes de gastos e equilibrar as contas públicas, mas enfrenta forte resistência da esquerda, liderada pelo partido A França Insubmissa (LFI), e da direita nacionalista Reagrupamento Nacional (RN). Ambas as legendas conquistaram grandes bancadas na Assembleia Nacional na eleição parlamentar antecipada de 2024.

A reforma da Previdência de 2023, que elevou a idade mínima de aposentadoria no país de 62 para 64 anos, desencadeou protestos quando a então primeira-ministra Élisabeth Borne invocou o artigo 49.3 da Constituição francesa para que a medida fosse aprovada sem votação no Parlamento. Em outubro de 2025, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu cedeu a ameaças da esquerda e anunciou a suspensão da reforma previdenciária até a eleição presidencial de 2027.

Em um período de um ano, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a França teve três primeiros-ministros. Michel Barnier e François Bayrou foram destituídos por votos de desconfiança no Parlamento articulados pela esquerda e pelo RN, contrários aos cortes de gastos defendidos por Macron.

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