Artigo argumenta que aceitar escolhas contrárias é primeiro princípio da democracia, após primeiro turno das eleições

Colunista argumenta que democracia implica aceitar que eleitores votem diferente de nossas escolhas, sem chamá-los de burros.
Uma colunista argumenta que aceitar o direito do eleitor votar em candidato diferente do seu é o primeiro princípio da democracia.
O texto reage ao primeiro turno das eleições, quando apoiadores de Lula criticaram nas redes sociais os votantes em Flávio Bolsonaro, utilizando a palavra “burros” entre os termos mais postados naquele momento. “Claro que quem votou em Flávio não é ‘burro’: apenas fez sua escolha”, afirma a autora.
Do outro lado, segundo o artigo, eleitores de Flávio voltaram suas críticas ao Nordeste, com destaque para a Bahia, região onde Lula mantém votação expressiva. Em 2022, os votos nordestinos tiveram peso decisivo a favor de Lula; na eleição atual, continuaram maioritariamente com o petista, mas ainda assim não foram suficientes para deixá-lo em primeiro lugar.
A colunista defende que a liberdade de expressão existe principalmente para proteger as falas que nos contrariam, nos incomodam ou ofendem, e não apenas aquelas com as quais concordamos. “Algo parecido acontece com a democracia: a voz da maioria – seja ela igual à sua ou não – é que deve prevalecer.”
Segundo o texto, o eleitor não é propriedade de partido político e não deve obediência a caciques, militantes de rede social ou aos detentores de verdades. A autora reconhece a frustração quando o candidato escolhido vai mal nas urnas, mas ressalta que a maioria nem sempre nos acompanha.
“A direita teve de engolir quatro anos de Lula desde 2022. Se Flávio confirmar a vitória no segundo turno, será a esquerda que terá de engolir – caladinha”, conclui. Para a colunista, o eleitor não precisa de autorização de ninguém para escolher seu candidato nem explicar sua escolha.


