Organizações alertam para risco de retrocesso na agenda climática e de proteção da Amazônia após pleito de 4 de outubro

Após eleições de 4 de outubro, organizações ambientalistas e climatólogos expressam temor com possível avanço do agronegócio e retrocesso em políticas climáticas
Organizações ambientalistas e climatólogos expressam preocupação com os resultados das eleições de 4 de outubro de 2026, alertando para possível retrocesso em políticas de proteção ambiental e climática.
Segundo nota divulgada pela ONG Climainfo em 6 de outubro, “avanços conquistados nos últimos anos na agenda de meio ambiente e clima correm risco de serem desperdiçados por um possível governo negacionista, vitaminado por um Legislativo dominado pelos lobbies do agronegócio e da indústria de combustíveis fósseis”.
A organização alertou ainda que “a proteção da Amazônia é crucial não apenas para os compromissos e objetivos climáticos do Brasil, mas também para o resto do planeta. Um eventual governo de extrema-direita, alinhado aos interesses dos setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro, pode ser a pá de cal para os esforços de evitar o colapso da maior floresta tropical do planeta”.
O climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, também manifestou preocupações semelhantes em artigo publicado no jornal Valor Econômico em 6 de outubro. Segundo Nobre, “estamos em um momento em que há um risco muito grande de manutenção ou de aumento do número de políticos eleitos negacionistas em relação às mudanças climáticas. Políticos que apoiam a contínua expansão do agronegócio, o aumento de desmatamento e baixos investimentos na adaptação aos eventos climáticos extremos”.
Nobre apontou ainda que no Congresso já há “uma maioria de deputados e senadores, por volta de 60%, que apoiam essas ideias”, referindo-se à expansão do agronegócio e ao aumento do desmatamento.
As reações refletem preocupação do setor ambientalista com a composição do novo Legislativo e possíveis mudanças nas prioridades governamentais em relação à agenda climática e de proteção ambiental após o resultado eleitoral.



