Enquanto deputado aconselha militância a não comentar posts de adversários, candidato do PL e ex-coach comentam vídeo crítico da cantora Juliette

Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal comentaram vídeo de Juliette que questiona ligação do candidato com religioso, contrariando orientação de Janones
No feriado de Nossa Senhora Aparecida, André Janones (Avante-MG) orientou a militância a não comentar em publicações de adversários, durante live com a escritora Tati Bernardi. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-coach Pablo Marçal agiram contrariamente ao comentarem o vídeo da cantora Juliette Freire que questiona a ligação do candidato com o bispo JB Carvalho.
Flávio respondeu com “Quem é 22 curte!”, acusando a peça de explorar eleitoralmente a santa e de usar “a maior fake news das eleições”. Seu comentário acumulou cerca de 104 mil curtidas e mais de 6.100 respostas até a noite de segunda-feira (12/10). Marçal deixou apenas emojis com o número do PL e um “M”, que somaram 57 mil curtidas e mais de 1.400 respostas.
Os algoritmos do Instagram e de outras plataformas tratam comentários e respostas como sinal de relevância, sem distinguir apoio de rejeição. Uma discussão com milhares de réplicas aumenta o tempo de permanência na publicação e indica à plataforma que vale distribuí-la a mais pessoas. Quando uma conta grande comenta, seus seguidores tendem a ver a publicação destacada, muitas vezes com o próprio comentário em evidência, fenômeno conhecido como efeito vitrine.
Na prática, Flávio e Marçal levaram o vídeo de Juliette para dentro da bolha bolsonarista, público que dificilmente o encontraria sozinho. A estratégia de comentar em posts de adversários é conhecida como “furar a bolha”.
Janones, conhecido pela “guerrilha digital”, construiu fama de estrategista e já se propôs a ensinar “o bê-a-bá das redes sociais” à comunicação do governo Lula. A recomendação do deputado segue a lógica de não entregar engajamento a quem se quer combater, buscando manter os adversários ocupados reagindo a provocações.



