Pesquisa aponta que 48,3% dos professores brasileiros pensam em abandonar a profissão

Instituto Casagrande Social ouviu 7.246 docentes; no Paraná, índice ultrapassa 50% e esgotamento emocional afeta dois terços

Pesquisa aponta que 48,3% dos professores brasileiros pensam em abandonar a profissão
Estudo revela desafios enfrentados pela categoria no país

Levantamento do Instituto Casagrande Social revela que quase metade dos docentes brasileiros já considerou sair da profissão

Uma pesquisa do Instituto Casagrande Social intitulada “O Estado do Professor Brasileiro 2026” revelou que 48,3% dos professores já pensaram em abandonar a profissão. No Paraná, o índice ultrapassa 50%. O levantamento ouviu 7.246 docentes de escolas públicas e privadas.

Conforme o estudo, 66,4% dos professores relatam esgotamento emocional frequente. Ainda de acordo com a pesquisa, 58,7% enfrentam situações de desrespeito, e 72,6% consideram a remuneração inadequada.

Outros dados indicam que 76,5% trabalham além da jornada contratada e 68,9% têm dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho, segundo o levantamento.

O trabalho do professor não termina quando a aula encerra. A rotina inclui planejamento, correções, reuniões e preocupações com cada estudante. Ao longo dos anos, responsabilidades foram adicionadas à categoria, incluindo questões emocionais, resolução de conflitos, comportamento, inclusão, tecnologia e burocracia, frequentemente sem o apoio necessário.

Segundo Ana Gabriela Simões Borges, doutora em Educação e superintendente do Instituto GRPCOM, a profissão não deve ser romantizada. “Ensinar exige conhecimento, preparo, respeito, remuneração adequada e boas condições de trabalho”, afirmou.

Borges também ressaltou a responsabilidade das famílias no processo educacional. “Estamos ensinando nossos filhos a respeitar os professores? A entender que existem regras e limites? Procuramos conhecer os desafios da escola antes de criticar?”, questionou.

A especialista apontou que o risco de um apagão docente nos próximos anos exige atenção. Além de formar novos professores, é necessário garantir que os profissionais já nas escolas tenham condições e motivos para permanecer na profissão.

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