CEO da Nexus aponta abstenção como risco para reeleição de Lula

Em 21 estados, eleitores votam apenas para presidente, o que pode aumentar índice de abstenção entre indecisos.

CEO da Nexus aponta abstenção como risco para reeleição de Lula
Flávio tem vantagem razoável, mas Lula segue competitivo, diz CEO da Nexus. Foto: CNN Brasil

Segundo analista da Nexus, 21 estados sem eleição para governador no segundo turno representam 92% do eleitorado.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, alertou que a abstenção constitui um dos principais riscos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante evento, Tokarski apontou que 21 estados não terão eleição para governador no segundo turno, representando 92% do eleitorado brasileiro.

Nesses estados, os eleitores votarão exclusivamente para presidente, cenário que pode elevar o índice de abstenção entre quem rejeita ambos os candidatos. No primeiro turno, entre 20% a 21% dos eleitores deixaram de comparecer às urnas, e os modelos de análise indicam que Lula sofrerá mais com esse fenômeno.

“Todo modelo que a gente olha para tentar, por meio de pesquisa, identificar o efeito da abstenção, a gente vê Lula sofrendo com isso”, declarou Tokarski.

A campanha petista enfrenta uma posição de desvantagem e precisa adotar estratégias mais ousadas para reverter o quadro, conforme a avaliação do analista. A proposta de quebra de sigilo levantada por Lula durante debate e reforçada em ato de campanha em Porto Alegre representa um risco calculado da campanha para gerar desgaste em Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lidera as pesquisas de intenção de voto no segundo turno.

“A gente está no final de um jogo de futebol, quase nos acréscimos, onde Lula está atrás no placar. Então, ao meu ver, a campanha de Lula é a campanha que tem que arriscar”, afirmou Tokarski.

Segundo o analista, as mobilizações de rua, mesmo que compostas majoritariamente por apoiadores já convictos, têm o potencial de animar a militância e atrair eleitores que não compareceram no primeiro turno. “Esse, para mim, hoje é um ponto-chave na eleição para o resultado de domingo”, disse.

Sobre o debate da Globo previsto para sexta-feira (23), Tokarski avaliou que o evento, realizado apenas 36 horas antes do início da votação, terá efeito relevante apenas se algum candidato tiver desempenho muito negativo. “Se os dois tiverem um desempenho semelhante, tendo a acreditar que o efeito do debate nessa reta final também vai ser menor”, afirmou.

Para Tokarski, o grande desafio de Lula permanece converter mobilização digital em comparecimento efetivo às urnas e reduzir a abstenção entre seu eleitorado.

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