Eleitores ausentes não formam reserva capaz de virar segundo turno

Análise aponta que abstenção de 21,08% inclui idosos dispensados e doentes; geografia favorece Flávio no Sul e Sudeste

Eleitores ausentes não formam reserva capaz de virar segundo turno
Urna com o número 3 colado em Candelária, no Vale do Rio Pardo (RS) Foto: Marcelo Reginatto — Foto: Urna com o número 3 colado em Candelária, no Vale do Rio Pardo (RS)  • Marcelo Reginatto

Estudo do BTG Pactual mostra que Lula precisaria de 12,6 milhões de novos eleitores votando nele na proporção 70 para 30 apenas com ausentes

A quatro dias do segundo turno, ambos os campos buscam consolo nos 33,4 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno. No entorno de Lula (PT), aponta-se que esse número é quinze vezes maior que a vantagem de 2,2 milhões obtida por Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o entorno de Flávio conta com o desânimo do adversário.

Estudo do BTG Pactual divulgado na terça, assinado pelos economistas Tiago Berriel e Mateus Della, calcula que para virar apenas com os ausentes, Lula precisaria de 12,6 milhões de novos eleitores votando nele na proporção de 70 para 30. A abstenção teria de cair quase oito pontos, algo sem paralelo na série histórica.

Dos sete segundos turnos presidenciais desde 1989, a abstenção subiu em seis, em média perto de dois pontos, e em 2010 superou três. A única queda ocorreu em 2022, ficando em 0,36 ponto.

Os ausentes também não formam uma tropa de reserva. A abstenção de 21,08%, a mais alta desde 1998, inclui idosos dispensados de votar, doentes e quem mudou de cidade sem transferir o título. Segundo o Datafolha, viagem e saúde respondem por mais de um terço das faltas.

As pesquisas indicam que os que pretendem voltar preferem Lula. Na Quaest do dia 14, a vantagem é de cinco pontos; na rodada mais recente do Ipespe, é larga. O problema está no volume: trata-se de uma fatia pequena da amostra, e o mesmo levantamento mostra Flávio um ponto melhor entre os eleitores que garantem comparecer.

A geografia agrava o quadro petista. O partido já levou às urnas boa parte do seu eleitorado no primeiro turno, e nos redutos onde tivera 70% ou mais dos votos a abstenção foi a menor desde 2014. Os 11,1 milhões de votos de saldo no Nordeste não cobriram os quase 13 milhões que Flávio abriu no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.

Os ausentes que restam estão concentrados em São Paulo, Minas e Rio, onde a abstenção subiu. Os governadores eleitos nesses estados — Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Douglas Ruas (PL-RJ) — estão com Flávio.

O caminho mais curto para Lula passa por quem votou em Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). São 7,2 milhões de votos válidos que podem determinar o resultado do segundo turno.

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