Crise financeira ameaça hospitais privados no Paraná com atrasos de operadoras

Hospitais enfrentam prazo de recebimento superior a 78 dias enquanto custeia salários e medicamentos

Crise financeira ameaça hospitais privados no Paraná com atrasos de operadoras
Paralisação de trabalhadores expõe dificuldades financeiras do setor Foto: Divulgação

Hospitais privados no Paraná enfrentam crise de fluxo de caixa por atrasos e glosas de operadoras, afetando folha de pagamento e serviços

A crise financeira que atinge hospitais privados no Paraná expõe vulnerabilidades estruturais do setor de saúde suplementar. Os hospitais Vita, em Curitiba, protagonizam o problema com atrasos salariais e paralização de trabalhadores, mas a questão é sistêmica.

Em 2024, operadoras de planos de saúde retiveram cerca de R$ 5,8 bilhões em pagamentos por serviços prestados através de glosas, segundo dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). O valor correspondeu a 15,89% do faturamento hospitalar analisado pela entidade.

O prazo médio de recebimento dos hospitais ultrapassou 78 dias, conforme a Anahp. Na prática, as instituições pagam salários, compram medicamentos, mantêm equipamentos e quitam fornecedores enquanto aguardam pelos valores de procedimentos já realizados.

O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar) identifica defasagem nos valores pagos pelos planos de saúde, recusas de pagamento, atrasos nos recebimentos e aumento dos custos operacionais como principais pressões sobre o caixa das instituições. Segundo o sindicato, o desequilíbrio pode comprometer a sustentabilidade financeira e levar à redução de serviços ou encerramento de atividades.

“Um hospital não pode suspender suas despesas enquanto aguarda o pagamento de uma operadora. Os salários precisam ser pagos, os medicamentos adquiridos e os equipamentos mantidos em funcionamento. Quando os recursos demoram a entrar, as instituições precisam recorrer ao capital de giro e, muitas vezes, ao endividamento. Com juros elevados, esse processo agrava ainda mais as dificuldades financeiras”, afirma Álvaro Quintas, presidente do Sindipar.

Os custos reais dos atendimentos superam consistentemente os valores pagos pelas operadoras. Despesas com medicamentos, materiais hospitalares, equipamentos, energia, manutenção, tecnologia e profissionais pressionam continuamente o orçamento das instituições, segundo o Sindipar. Os reajustes das tabelas de remuneração nem sempre acompanham a evolução desses custos, reduzindo as margens financeiras dos prestadores.

No ciclo de 2025, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou reajuste máximo de 6,06% para os planos individuais, índice que hospitais argumentam ser insuficiente para cobrir a inflação de custos operacionais.

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