Projeto da empresa Crusoe pode afetar disponibilidade de eletricidade para o Brasil e custos de energia no Paraná

Projeto prevê início de operações em meados de 2027 e pode impactar fornecimento de energia ao Brasil e royalties de municípios paranaenses
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (21) um projeto para construir um centro de processamento de dados para inteligência artificial no Paraguai, utilizando energia da hidrelétrica de Itaipu, administrada conjuntamente pelo país sul-americano e pelo Brasil.
A Crusoe, empresa americana especializada em infraestrutura para IA, desenvolverá o projeto em parceria com a Araico, companhia paraguaia que atua em projetos de energia e infraestrutura. De acordo com o anúncio, o centro começará a operar em meados de 2027 e atenderá empresas que utilizam serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina.
O governo americano não divulgou o valor do investimento nem o volume de energia destinado à instalação. Segundo o comunicado, o empreendimento é potencialmente um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.
Pelo tratado que regulamenta a usina, Brasil e Paraguai têm direito a metade da produção cada um, e a energia não utilizada por um dos países pode ser adquirida pelo outro. Com a renegociação do Anexo C do tratado, o Paraguai busca ampliar sua autonomia para comercializar a própria parcela da eletricidade.
Se parte da energia que poderia ser vendida ao Brasil passar a abastecer instalações de grande porte no território paraguaio, poderá haver mudanças na disponibilidade de eletricidade para o sistema brasileiro. O impacto dependerá do volume contratado e das condições definidas para o fornecimento.
A possibilidade coloca em discussão os custos de energia e a competitividade da indústria paranaense. Caso haja redução relevante da oferta de energia disponível para o Brasil, o sistema elétrico poderá precisar recorrer a outras fontes de geração, a depender das condições de oferta e demanda.
Outro ponto de atenção envolve os municípios paranaenses que recebem royalties de Itaipu. Os repasses compensam os impactos territoriais da formação do reservatório e beneficiam o estado e municípios lindeiros ao lago. Como os royalties estão vinculados a critérios próprios de geração e compensação, o anúncio do centro de dados não significa, por si só, redução dos valores repassados.



