Ondas de calor globais pressem economia e geram custos bilionários em setores

Frequência de tempestades de calor saltou de cinco anuais nos anos 1960 para 102 nesta década, segundo Reuters

Ondas de calor globais pressem economia e geram custos bilionários em setores
Ondas de calor afetam setores produtivos no mundo. Foto: Climatempo — Foto: Onda de calor  • Climatempo

Investigação da Reuters aponta aumento vertiginoso de eventos de calor extremo que atingem centros produtivos simultaneamente, pressionando custos operacionais

Investigação publicada pela Reuters na terça-feira (20) identifica grandes ondas de calor cobrindo ao menos 1% da superfície do planeta, com frequência média que passou de cerca de cinco ocorrências anuais nos anos 1960 para 102 nesta década.

Segundo os critérios da agência, chamados de “tempestades de calor”, sua magnitude depende das regras adotadas, embora a intensificação dos extremos quentes esteja estabelecida pela ciência. O evento Vera foi acompanhado por 367 dias entre 2023 e 2024 e alcançou cumulativamente quase 85% do globo. Raimundo atingiu 33,8% simultaneamente em agosto de 2026.

A seca amazônica de 2023 impôs R$ 1,4 bilhão em custos operacionais extras ao Polo Industrial de Manaus, segundo o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas). Com restrições ao acesso fluvial, fábricas tiveram de redirecionar cargas e enfrentar falta de insumos. No ano seguinte, o Cieam projetou R$ 1,346 bilhão para antecipação de estoques e sobretaxas de transporte.

A Organização Internacional do Trabalho estimou em 2019 que o estresse térmico poderia eliminar 2,2% das horas trabalhadas no mundo em 2030, equivalentes a 80 milhões de empregos integrais e US$ 2,4 trilhões em produtividade perdida. A projeção pressupõe aquecimento limitado a 1,5°C até 2100.

No Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou aumento de 4,3% no consumo de eletricidade em agosto de 2026: 6,9% nas residências, 9,4% no comércio e 0,2% na indústria. O consumo residencial médio atingiu 181,8 kWh, recorde da série iniciada em 2004. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou demanda instantânea próxima de 106,5 mil MW em fevereiro de 2025, período de temperaturas elevadas.

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