Empresa enfrenta denúncias de interferência eleitoral e recomendações do MPF após bloqueios de vídeos de candidatos

Meta reconheceu haver falhas recorrentes no controle de conteúdo após denúncias de bloqueios durante campanhas eleitorais de 2026.
A Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, admitiu ter “falhas recorrentes” no controle de conteúdo durante as eleições de 2026, após ser acusada de interferir no pleito através de bloqueios e queda de alcance de vídeos de candidatos.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) relatou, na terça-feira (20), dificuldades para compartilhar um vídeo de apoio ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) no Instagram. De acordo com Nikolas, seus seguidores tiveram problemas ao tentar compartilhar a publicação nos stories e, posteriormente, o post perdeu o áudio.
O vídeo continha depoimentos de moradores do Nordeste com música do cantor Rubel em parceria com Xande de Pilares. A Meta informou que o áudio foi removido por solicitação de direitos autorais. Nikolas então acusou Rubel de tentar impedir a divulgação, afirmando que o artista teria acionado a Sony Music Brasil, sua produtora, para derrubar o som. O cantor publicou foto nas redes sociais declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A CNN procurou o cantor e a produtora, mas não obteve retorno.
Segundo as diretrizes de direitos autorais da Meta disponíveis em seu site, não se deve usar trabalho de outra pessoa “se você não tem permissão para isso”. A companhia informa que o usuário pode infringir direitos autorais mesmo dando crédito, comprando o conteúdo e sem intenção de violar o direito. Caso algum conteúdo infrinja regras relacionadas a direitos autorais, o usuário recebe notificação e a publicação é removida.
Na quarta-feira (21), o Ministério Público Federal recomendou à Meta a adoção de medidas urgentes para garantir transparência e proteção à liberdade de expressão nas redes sociais. As recomendações ocorrem em meio a novas denúncias de interferência eleitoral envolvendo também o cantor MC Cabelinho e congressistas democratas dos Estados Unidos.
A empresa segue sob escrutínio do Tribunal Superior Eleitoral e de órgãos federais quanto ao cumprimento de normas eleitorais nas plataformas durante este período de campanha.



