Deputado estadual eleito no Rio está preso desde 15 de outubro por envolvimento com organização criminosa que usava postos de gasolina para lavagem de dinheiro.

O MP Eleitoral pediu que o TSE barre a candidatura de Márcio Canella, deputado estadual eleito no Rio. Ele está preso desde outubro por envolvimento com organização criminosa.
O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barre a candidatura de Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23). A solicitação se baseia no suposto envolvimento de Canella com organizações criminosas.
Canella está preso desde 15 de outubro, quando foi alvo da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. O deputado estadual eleito é investigado por envolvimento com uma organização criminosa armada que supostamente utilizava uma rede de 96 postos de gasolina como plataforma de lavagem de dinheiro.
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Canella está detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona Oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com Alexandre Espinosa, vice-procurador-geral eleitoral, existe entendimento do TSE que impede a participação de políticos ligados a organizações paramilitares ou similares na disputa eleitoral, mesmo sem o trânsito em julgado. Espinosa afirmou que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro havia liberado a candidatura de Canella sem ter acesso às provas do inquérito contra o deputado.
A investigação está em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo do processo foi retirado pela Suprema Corte apenas este mês, após a prisão do político. O vice-procurador entende que essas provas precisam ser consideradas na decisão.
O processo contra Canella levanta indícios de que ele influenciou a indicação de cargos na cúpula da Segurança Pública estadual para favorecer o grupo criminoso, além de receber dinheiro em espécie proveniente do esquema. O MP Eleitoral afirma ainda que Canella pode ter envolvimento com milícias. A suspeita se baseia no fato de que, enquanto era deputado estadual, ele empregou em 2023 a esposa do líder de um grupo miliciano. Como prefeito de Belford Roxo, nomeou para secretarias lideranças de organizações milicianas.
“É possível afirmar, portanto, a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada”, afirmou Espinosa no parecer.
O TSE analisará a manifestação do MP Eleitoral para decidir sobre o prosseguimento ou a cassação da candidatura de Canella.



