Bank of America encerra contas de ministérios cristãos nos EUA

Organizações religiosas tiveram acesso bancário negado com justificativas vagas sobre 'tolerância ao risco', segundo relatório do órgão regulador

Bank of America encerra contas de ministérios cristãos nos EUA
Foto: Gospelmais

Ministérios cristãos nos EUA enfrentaram fechamento de contas bancárias pelo Bank of America. Relatório de órgão regulador documenta práticas discriminatórias.

Ministérios cristãos nos Estados Unidos enfrentaram o fechamento de contas bancárias pelo Bank of America, com justificativas relacionadas à “tolerança ao risco” das organizações.

O Timothy Two Project International, fundado por Steve Curtis, recebeu em novembro de 2020 a comunicação de encerramento de sua conta. A organização treina pastores e líderes de igrejas em regiões pobres do mundo e operava com o banco desde 2011, segundo informações do ministério. De acordo com Curtis, nada havia mudado nas operações da organização desde o início do relacionamento bancário.

Quase três anos depois, o Indigenous Advance, organização que apoia viúvas e órfãos em Uganda, também teve sua conta encerrada pelo mesmo banco. Os líderes enfrentaram meses de silêncio ao solicitar explicações, conforme relatado pela organização.

“Eu costumava me perguntar se os bancos estavam testando as águas. Não preciso mais adivinhar isso”, disse Steve Curtis.

O caso ganhou visibilidade quando Donald Trump questionou publicamente o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, durante uma sessão do Fórum Econômico Mundial em Davos em janeiro de 2025, conforme registrado nos anais do evento.

Em resposta às preocupações, o Office of the Comptroller of the Currency divulgou o relatório “Debanked: Guaranteeing Fair Banking for All Americans”, encomendado para implementar uma ordem executiva de 2025 sobre práticas bancárias justas. O documento detalha como grandes bancos utilizaram critérios vagos de “risco reputacional” para encerrar contas de organizações religiosas.

Alguns estados aprovaram legislação específica. Tennessee, Idaho e Carolina do Sul sancionaram leis para proteger cidadãos contra o que denominam “debanking” discriminatório, conforme registrado em seus respectivos legislativos. O relatório sugere que essas leis podem ter catalisado mudanças em políticas bancárias. Contudo, estados como Ohio e Oregon não dispõem de proteções similares, deixando ministérios vulneráveis a práticas de encerramento de contas.

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